Em gestão corrente ...como o País...

Janeiro 02 2008

 31 da Armada

      

     

pescadinhas de urgências na boca
      

as pessoas fogem do interior do país. as urgências do interior do país fecham porque as pessoas fogem. com urgências fechadas há cada vez menos razões para as pessoas ficarem.  

    
          
Os aprendizes de feiticeiro
     

Grande chapelada para este post do Rodrigo. Mas há mais.

O fecho das urgências é um bom exemplo de como a gestão governamental é feita sem qualquer tipo de plano ou ideia para o país e do papel do Estado na comunidade.

Este tipo de decisões parece esquecer uma das principais funções do Estado: a ocupação do território, digamos, adjudicado a uma dada comunidade. Se o Estado decide deixar de providenciar serviços a uma parte da população e os mantém para a outra parte está a declarar que se abstém de ocupar aquela parte do território nacional. Isto é, aliás, patente em zonas raianas em que as pessoas, na ausência de oferta de serviços por parte de Estado português, se dirigem a Espanha para suprirem as suas necessidades.

O que aqui está em causa nada tem a ver com questões de mais ou menos Estado, está sim relacionado com questões de soberania. E, claro está, a soberania tem custos. É o mesmo Estado que não se importa de perder fortunas com a TAP, CP ou a RTP que decide aplicar critérios economicistas na questão do encerramento das urgências.   

 

 

 
emgestaocorrente às 18:37

Abril 11 2007

           

                

INCOGNITO

          

               

      Um pouco ao acaso, descobri um blogue interessante, dedicado à música e aos video-clipes , da autoria de João Lopes e Nuno Galopim .

      Nesse blogue, chamado Sound Vision " (www.sound--vision.blogspot.com), encontrava-se uma misteriosa fotografia que os autores, apesar de experimentados críticos e jornalistas, denominaram como "incógnito".

      Estou em condições de esclarecer o significado da fotografia.

      Trata-se de um simpático casal de licenciados em cursos que realmente existem (à antiga) em Universidades reais e credíveis (daquelas que não dão licenciaturas aos domingos) e que, num impulso juvenil e de fervor patriótico resolveu contribuir para esbater as assimetrias regionais e combater a desertificação do interior, estabelecendo a sua vida profissional num daqueles concelhos do interior centro, na zona do pinhal, por onde os políticos , às vezes e com enfado, passam, a alta velocidade, durante as campanhas eleitorais.

      Durante anos ouviram os vizinhos e conhecidos queixarem-se da falta de assistência médica e da necessidade de irem, ainda no inicio da madrugada, para a porta do posto médico apanhar vaga para a consulta do dia seguinte, se o médico aparecer.

      Ouviam mas não ligavam muito; afinal eram novos e o asunto, para já, não lhes dizia respeito.

      Mas os anos passaram, a meia idade está a chegar, e naquela noite ele sentiu-se mal.

      Ela tirou o carro da garagem e levou-o ao Centro de Saúde (chama-se assim porque quando as pessoas estão doentes ou está fechado ou não há médico); ao chegar viu um cartaz que anunciava o encerramento do SAP (Serviço de Atendimento Permanente) por ordem ministerial.

      Resolveu, então, dirigir-se ao Centro de Saúde do concelho mais próximo; também estava fechado e ostentava o mesmo cartaz e uma fotocópia da entrevista do Presidente da Administração Regional de Saúde  ao jornal local em que explicava que aquele encerramento constituía a melhor maneira de defender a saúde dos moradores (assim, sem SAP, sentiam-se na obrigação de se manterem saudáveis durante mais tempo).

      Decidiu continuar viagem até outro concelho; obteve o mesmo resultado.

      Acabou por se dirigir à sede do distrito, onde havia um enorme hospital com o nome de um santo. Efectuou a inscrição, foi triado e obteve um cartão amarelo. Dirigiu-se à sala de espera onde se encontrava uma multidão de gente das mais variadas idades e raças com cartões igualmente coloridos. Soube que espera nunca seria inferior a 6-8 horas.

      Ao fim de 2 horas sentiu-se muito pior; só o ambiente da sala o agoniava de uma maneira insuportável; decidiu voltar para casa e, no caminho, colocar uma vela na Capelinha das Aparições.

      E foi precisamente ao chegar a Fátima que se deu o milagre! Logo na rotunda da entrada surgiu-lhe uma aparição, sob a forma da unha do dedo indicador do ministro Tareia de Campos (que é perfeitamente visível na fotografia, na parte esquerda do vidro do carro) que lhe indicava o caminho de Espanha!

      Seguiu a visão e rumou à fronteira!

     Mal chegou ao primeiro Ayuntamento dirigiu-se ao Centro de Salud, foi consultado e medicado.

      Voltou para Portugal.

      No posto da Cepsa junto da fronteira encheu o depósio de gasolina (pouando 3 mil escudos dos antigos), comprou 2 botijas de gás (a metade do preço), comprou lenços da Renova muito mais baratos, tomou 1 bica (os espanhóis finalmente já sabem tirar bicas).

      Foi esta a verdadeira história do milagre a que se refere a fotografia a que os autores do blogue chamaram incógnito, por evidente e imperdoável desconhecimento do caso.

       Segundo fui informado pelo Presidente da Câmara local (que assinou um protocolo com o ministro Tareia dos Campos em que este lhe promete coisa nenhuma lá para as calendas gregas) o casal vive agora angustiado sem saber a quem agradecer o feliz desfecho da história: se à N. Sr.ª de Fátima, se ao ministro Tareia dos C.

    

     

 

 



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