Em gestão corrente ...como o País...

Dezembro 14 2007

  

Elegia do teu corpo na praia

    

De costas para o mar.

as tuas pernas como dois lírios brancos.

duas conchas cavadas no lado de trás dos joelhos,

pequenas gotas de água evaporando-se dentro delas.

o sol começa a dar-te uma cor de ébano novo.

a luz é intensa.

estendo-me junto de ti.

pouso a cabeça nos teus quadris,

essa doce e quente enseada.

como uma sucessão de ondas

as tuas ancas estremecem,

rolam na minha boca.

tenho a minha boca colocada nas tuas ancas.

as minhas mãos nas tuas omoplatas.

respiro contidamente como se fosse uma morte.

beijo-te o pescoço em silêncio.

a luz na praia agora é mais crua.

levantas-te. desapareces na água. respiro ainda em silêncio.

quando regressas o sol é uma rosácea faiscante.

volto a colocar a minha cabeça sobre o teu corpo.

o cheiro intenso do sal abre-me as narinas.

digo muito baixo: é afrodite que vem do mar.

e fico silencioso como um barco ancorado.

da baía do teu corpo começam a levantar voo

as gaivotas das minhas mãos.

    

Luis Pignatelli , in

"Obra Poética", Ed. & etc., 1999

 


 

 


Setembro 05 2007

        

No ventre de sua mãe...

    

No ventre de sua mãe

(ai corpo da bem-amada)

o meu filho está crescendo;

lá pra dezembro que vem

outrossim estou dizendo:

ei-lo que nasce, o meu filho

ei-lo que nasce, nascendo

do ventre de sua mãe

como nasce o girassol

que no vento vai gerando

as sementinhas que tem

   

Ai corpo da bem-amada,

ai corpo que me quer bem.

   

Luis Pignatelli,

in "Obra Poética", 1999

 


emgestaocorrente às 19:50

Abril 16 2007

           

              

Com a noite me deito

com o dia me levanto

canta-me um pássaro no peito

vai-me a tristeza no canto

    

vai-me a tristeza no canto

como um cavalo no prado

seca-me a água do pranto

deste rio desatado

     

 

Luis Pignatelli

in "Obra Poética", 1999

  

(Vitorino, com este poema, fez uma extraordinária canção)

    

 


 

emgestaocorrente às 19:32

Fevereiro 03 2007

 

Como se fosse de linho doce

com que me cubro e adormeço

ou pássaro que cantando fosse

árvore de vento com que estremeço

 

como se fosse na manhã silente

cristal soprado na noite fria

ou ar de neve luz transparente

com o que o teu rosto inaugura o dia

 

Luis Pignatelli

in "Obra Poética", 1999

 


emgestaocorrente às 18:38

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