Em gestão corrente ...como o País...

Janeiro 26 2009

    

Dá a surpresa de ser

  

   

Dá a surpresa de ser.

É alta, de um louro escuro.

Faz bem só pensar em ver

Seu corpo meio maduro.

   

Seus seios altos parecem

(Se ela estivesse deitada)

Dois montinhos que amanhecem

Sem ter que haver madrugada.

  

E a mão do seu braço branco

Assenta em palmo espalhado

Sobre a saliência do flanco

Do seu relevo tapado.

   

Apetece como um barco.

Tem qualquer coisa de gomo.

Meu Deus, quando é que eu embarco?

Ó fome, quando é que eu como?

  

  

Fernando Pessoa, in

"366 poemas que falam de amor", org. de Vasco Graça Moura,

Quetzal Ed., Lisboa, 2003.

     


  


Dezembro 08 2008
 
«As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas.»
 
 
Júlio (1902-1983). «Cabeça de mulher e lua». 1973. Col. Família do Autor, Vila do Conde.

Júlio (1902-1983), Cabeça de mulher e lua, 1973

 

   

   

       Todas as cartas de amor são

Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas.

        

 

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras,

Ridículas.

       

 

As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser

Ridículas.

      

 

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são

Ridículas.

     

 

Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas.

     

 

A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são

Ridículas.

     

 

(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente

Ridículas). 

   
    
Rapinado do Portal Multipessoa, que se recomenda, vivamente!
     

 

Janeiro 14 2008

      

 

   

"Poema do Menino Jesus" de Fenando Pessoa

"O doce mistério da vida"

por Maria Bethânia

essa outra Porto Vintage

       

 



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