A gestão pelo terror
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Por causa deste senhor e da senhora que superintende a educação chegou ao que chegou. Um dos aspectos mais graves é a contínua politização, entendida aqui como luta político-partidária, dos resultados dos exames nacionais. Aquilo que deveria ser motivo de reflexão serena e um indicador socialmente útil transformou-se, devido a certas feitiçarias dos nossos feiticeiros-mores, num espaço estéril de polémica e numa telenovela ao nível daquelas que a Justiça proporciona para gáudio da comunicação social e de nós, pobres indígenas, que não temos nada com que nos entreter. Ontem saíram os resultados dos exames do 9.º ano e logo a maga chefe veio anunciar que o país se deveria congratular com tais resultados, talvez organizar umas festas dos santos populares tão ao gosto das comunidades educativas, digo eu. Já a Associação de Professores de Português exige que o Ministério da Educação, isto é, a Confraria Nacional de Mágicos e Feiticeiros, explique a queda dos resultados, os quais apesar de caírem ainda merecem que o país se congratule com eles, segundo a Maga-Chefe. Portanto, os professores de português que se preparem. Se o PS ganhar as eleições com maioria absoluta lá vão apanhar com mais um daqueles extraordinários planos de salvação, como o que impera na Matemática. A educação tornou-se o refúgio dos amantes do plano. Todos os que adoravam os planos quinquenais soviéticos ou os planos de fomento do Estado Novo Salazarista encontraram um ninho e um nicho para aplicarem as suas inovadoras ideias sobre planeamento e planificação, em última análise ideias que conduzem à terraplanagem do saber e ao achatamento e à rasura do que deveria ser elevado.
Agnóstico e livre pensador, não entendo como declarações sensatas (e óbvias!) como as do Cardeal D. Policarpo estão a causar tanto escândalo nas gentes "bem pensantes" com a habitual amplificação e colaboração dos meios de comunicação social.
Por pensar exactamente como Jorge Carreira Maia, aqui se rapina um seu post do seu "A ver o mundo", escrito com o seu habitual brilhantismo.
Jorge Carreira Maia em "A Ver o Mundo" publicou este excelente post:
Assustam-se as belas e pobres escravas
envoltas no corpo, a natureza lho deu,
ao verem a terrível luz de Ulisses,
náufrago entre náufragos,
a emudecer a sombra que do mar vinha.
Entre tanta mulher de corpo resfriado pela água,
aquecido pelo sol do mediterrâneo,
apenas uma enfrenta o desconhecido
e a sua mão lhe entrega para o levar
à cidade, para que o cuidem e lhe tragam
o conforto que os dias passados roubaram.
Nausícaa, filha real, reconheceu no estrangeiro
não o escravo a que tudo teme,
mas um igual, apenas maltratado pelas águas
e pelo destino adverso que tudo pode.
No segredo do seu coração, já o filho de Ulisses
encontrara o conforto para a sua solidão.
John Wilmot, Segundo Conde de Rochester (Ditchley, 1 de abril de 1647 — 26 de julho de 1680), foi um libertino inglês, amigo do rei Carlos II e escritor de muita poesia satírica e obscena.
http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Wilmot
Acho que muuuuuuuuuita teoria de como educar os filhos vai por água abaixo assim que eles aparecem.
“Antes de casar eu tinha três teorias sobre educar crianças. Agora tenho três crianças e nenhuma teoria.” John Wilmot.
Via "A Ver o Mundo", blogue de frequência diária, este poema de Jorge Carreira Maia
A viagem tem
um sabor de cal
quando vou por ti,
na rua, deslumbrado.
Oiço então os pássaros
que o Inverno traz
e no seio da terra
logo se escondem.
Vejo-os vivos, pálidos,
infelizes mármores
que da pedra foram
por tuas mãos libertos.
Cantam livres do
coração que assim,
com tão doces modos,
em mim os prendeu.
Jorge Carreira Maia,
Pentassílabos, 2008
Do blogue A ver o mundo, rapinei este post que mostra como há gente para tudo e disposta a ser " a voz do dono". Exemplar! Tais pais, tais filhos!
E já agora: lembram-se da guerra dos "ecologistas" aos eucaliptos? E já pensaram porque é que havendo cada vez mais eucaliptos em Portugal as Quercus todas que para aí andam se calaram e, de um momento para o outro, o problema deixou de existir?
E lembram-se do tempo em que, meses a fio, os telejornais abriam com as imagens dos novos "mártires" da ecologia a amarrarem-se às máquinas de plantação dos eucaliptos, um pouco por todas as serras do país?
Pois dêem-se ao trabalho de ver que tachos é que esses meninos hoje ocupam, que assessorias e sinecuras lhes pagam, a peso de ouro, os seus doutos estudos e conselhos e tentem descobrir que subsídios (e atribuídos por quem) recebem essas organizações "ecologistas".
Dou-vos uma pista: comecem a vossa investigação pelas contas das fábricas de celulose...
Para que serve a sociedade civil em Portugal? A resposta será sempre embaraçosa. Tomemos o exemplo da CONFAP (confederação de associação de pais) dirigida pelo sr . Albino Almeida. À partida dir-se-ia um bom exemplo de iniciativa da sociedade civil. Mas se olharmos para o seu orçamento descobrimos como tudo está inquinado. No ano de 2006, recebeu do Ministério da Educação mais de 150 mil euros e das quotizações dos seus associados, pasme-se, 1302 euros (cf. aqui). Não admira que apareça ao lado da ministra no conflito que opõe governo/professores. A CONFAP é apenas mais um exemplo, ainda por cima lamentável, da fragilidade e da artificialidade da “sociedade civil” portuguesa.
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