Em gestão corrente ...como o País...

Janeiro 26 2009

    

Dá a surpresa de ser

  

   

Dá a surpresa de ser.

É alta, de um louro escuro.

Faz bem só pensar em ver

Seu corpo meio maduro.

   

Seus seios altos parecem

(Se ela estivesse deitada)

Dois montinhos que amanhecem

Sem ter que haver madrugada.

  

E a mão do seu braço branco

Assenta em palmo espalhado

Sobre a saliência do flanco

Do seu relevo tapado.

   

Apetece como um barco.

Tem qualquer coisa de gomo.

Meu Deus, quando é que eu embarco?

Ó fome, quando é que eu como?

  

  

Fernando Pessoa, in

"366 poemas que falam de amor", org. de Vasco Graça Moura,

Quetzal Ed., Lisboa, 2003.

     


  


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