Em gestão corrente ...como o País...

Novembro 27 2008

      

Nas manhãs de sábado,

no outono,

as ruas de Castelo de Vide

fervilham de actividade:

cães nas varandas

(com botas a secar)

 

   

gatos a passear

 

 

multidões de velhas comadres

a comentarem os acontecimentos

  

    

guaritas medievais

a espreitar e vigiar

o fotógrafo

    

   

paredes, portas, varandas e janelas

a espregiçarem-se ao sol

   

  

enquanto as flores

irrompem de todos os buracos da calçada

   

 

Encantos tamanhos

não há noutro lugar!

   


  

 


Novembro 27 2008

  

Amor, é um arder, que se não sente

  

Amor,é um arder, que se não sente;

É ferida que dói, e não tem cura;

É febre, que no peito faz secura;

É mal, que as forças tira de repente.

 

É fogo, que consome ocultamente;

É dor, que mortifica a Criatura;

É ânsia a mais cruel, e a mais impura;

E frágua, que devora o fogo ardente.

  

É um triste penar entre lamentos;

É um não acabar sempre penando;

É um andar metido em mil tormentos.

   

É suspiros lançar de quando, em quando;

E quem me causa eternos sentimentos;

É qum me mata, e vida me está dando.

   

Abade de Jazente, in

"366 poemas que falam de amor", antologia de Vasco Graça Moura,

Quetzal Ed., Lisboa 2004

    


 


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