Em gestão corrente ...como o País...

Fevereiro 09 2008

 

   

Anúncio confidencial

     

Arranja-me um fio de prata dois silêncios um sorriso

e desaperta no peito dois botões pró paraíso

e dá-me beijos na testa quando começar o dia

sorri-me longa a manhã no teu corpo devagar

sendo horas de nascer tu sabes o teu lugar

    

de ti estamos distantes como quem não dá por isso

mas pressentimos no corpo uma espécie de feitiço

responde à posta restante anúncios confidenciais

se não existires eu faço-te

já esculpi outras que tais

que às vezes ao fim da tarde quando me vem o cansaço

vou atirar-me para o maple e encontro o teu regaço

e tu dizes coisas feias andas zangada comigo

e eu fico na plateia nem sei bem o que digo

e irritada tu beijas resvalas mordes ondulas

e eu que andava por tão longe quando m'insultas (e pulas)

eu transformo-me da pedra em ondas gaivotas mar

e eu que não estava ali reparo nas tuas pernas reparo na tua boca

e passo de novo a estar reparo na tua boca que eu nunca soube explicar

e sinto incêndios nas veias e sinto incêndios no mar

vêm aí horas ternas são horas de mergulhar

desculpa mundo já demos são horas de te esquecer

são horas de enlouquecer desculpa lá vou fechar

    

Pedro Barroso, CD "de viva voz"

 


 

emgestaocorrente às 11:28

Fevereiro 08 2008

          

       

Estrela do mar

    

Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte

e em que o sono parecia disposto a não vir

fui estender-me na praia sozinho ao relento

e ali longe do tempo acabei por dormir

    

Acordei com o toque suave de um beijo

e uma cara sardenta encheu-me o olhar

ainda meio a sonhar perguntei-lhe quem era

ela riu-se e disse baixinho: estrela do mar

    

Sou a estrela do mar

só a ele obedeço, só ele me conhece

só ele sabe quem sou no principio e no fim

só a ele sou fiel e é ele quem me protege

  

Quando alguém quer à força

ser dono de mim

  

Não sei se era maior o desejo ou o espanto

mas sei que por instantes deixei de pensar

uma chama invisível incendiou-me o peito

qualquer coisa impossível fez-me acreditar

      

Em silêncio trocámos segredos e abraços

inscrevemos no espaço um novo alfabeto

já passaram mil anos sobre o nosso encontro

mas mil anos são pouco ou nada para a estrela do mar  

         

Vídeo de 1991

 


 

 

 


Fevereiro 04 2008

                       

      

A jovem (delicada e adorável) Norah Jones

e o velho canastrão da country Willie Nelson

um já Porto Vintage, a outra a caminho de o ser.

      


 

emgestaocorrente às 22:32

Fevereiro 04 2008

   

Vê se há mensagens

no gravador de chamadas;

rega as roseiras;

as chaves estão

na mesa do telefone;

traz o meu

caderno de apontamentos

(o de folhas

sem linhas, as linhas distraiem-me).

Não digas nada

a ninguém,

o tempo, agora,

é de poucas palavras,

e de ainda menos sentido.

Embora eu, pelos vistos,

não tenha razão de queixa.

     

Senhor, permite que algo permaneça,

alguma palavra ou alguma lembrança,

que alguma coisa possa ter sido

de outra maneira,

não digo a morte, nem a vida,

mas alguma coisa mais insubstancial.

Se não para que me deste os substantivos e os verbos,

o medo e a esperança,

a urze e o salgueiro,

os meus heróis e os meus livros?

    

Agora o meu coração

está cheio de passos

e de vozes falando baixo, de nomes passados

lembrando-me onde

as minhas palavras não chegam

nem a minha vida

nem provavelmente o Adalat ou o Nitromint.

    

Manuel António Pina, in

"Monólogos", incluído na "Poesia Reunida", Assirio & Alvim, 2001

        


emgestaocorrente às 22:17

Fevereiro 04 2008

                           

                    

 O velho Eric Clapton no seu melhor

um autêntico Porto Vintage

 


 

emgestaocorrente às 21:02

Fevereiro 02 2008

                                

                   


 

emgestaocorrente às 23:01

Fevereiro 02 2008

                                                    

   


 

emgestaocorrente às 22:58

Fevereiro 02 2008

                  

     

Via "que raio de saúde a nossa"

uma canção excepcional

de Chico César e Maria Bethânia

(que Porto Vintage está esta mulher!)

que me era desconhecida

que nos recorda aquelas imagens de mulheres sózinhas

com uma lata de água na cabeça

a atravessarem desertos de secura.

 


 

emgestaocorrente às 11:12

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