Em gestão corrente ...como o País...

Fevereiro 09 2008

              

    

       Ontem à noite, no Hospital de S.to André, nasceu a Madalena,

a minha 4ª neta,

aqui ao colo da irmã Sofia

(avô babado!)

   



Fevereiro 09 2008

Há uns tempos atrás, ainda no reinado de Santana Lopes, se não estou em erro, o Dr. Mário Soares disse que, caso não estivéssemos na União Europeia, já teria ocorrido um golpe militar. O dito não foi levado a sério por ninguém. No entanto, aquelas palavras deveriam ter alertado os espíritos para a crescente degradação da situação política do país. Quem frequenta a blogosfera, por exemplo, percebe que há, entre os blogues mais consultados – blogues que formam a opinião da gente da classe média entre os vinte e os quarenta anos –, muitos que fazem uma clara apologia do fim deste regime. Há uma cultura que cresce e que se instala, cultura essa que roça, muitas vezes, a apologia do autoritarismo político.

Digno de nota foi o artigo, publicado no passado sábado no Expresso, pelo general Garcia Leandro, o militar que dirige o Observatório de Segurança. O título é elucidativo: "A falta de vergonha". A que se refere o general? Ao "modo como se tem desenvolvido a vida das grandes empresas, nomeadamente da banca e dos seguros, envolvendo BCP e Banco de Portugal, incluindo remunerações dos seus administradores e respectivas mordomias, transformou-se num escândalo nacional, criando a repulsa generalizada." Refere também "a promiscuidade entre o poder político e o económico", a "falta de confiança que existe nos responsáveis políticos deste regime (sic)".

Mas o general diz mais. Não resisto a continuar as citações: "Se sinto a revolta crescente daqueles que comigo contactam, eu próprio começo a sentir que a minha capacidade de resistência psicológica a tanta desvergonha, (…), vai enfraquecendo todos os dias (sic)." E logo a seguir o general acrescenta: "Já fui convidado para encabeçar um movimento de indignação contra este estado de coisas e tenho resistido (sic)." E diz mais: "Mas a explosão social está a chegar. Vão ocorrer (sic) movimentos de cidadãos que já não podem aguentar mais o que se passa." E escreve, como uma espécie de paliativo: "É óbvio que não será pela acção militar que tal acontecerá, não só porque não resolveria o problema mas também porque o enquadramento da UE não o aceitaria; não haverá mais cardeais e generais para resolver este tipo de questões."

Parece que o Dr. Soares tinha razão. Tirando o enquadramento da UE, todas as outras condições para um golpe parecem reunidas: corrupção, políticos sem crédito, classes médias desfeitas, empobrecimento da população, insegurança e medo a crescer. A pergunta é então a seguinte: quanto vale a democracia portuguesa sem a Europa? Zero. Foi a isto que o bloco central conduziu o país. Uma crise que leve ao fim da União e a democracia portuguesa não dura dois dias. Como interpretar as palavras do general que dirige o Observatório de Segurança? Um grito de revolta? Não sejamos ingénuos. Foram um aviso. E quem te avisa teu amigo é.

        

   Nas últimas semanas tenho-me limitado a postar poesia pintura e música neste blogue.

   A siuação poliica, social e económica está de tal modo degradada que é penoso pensá-la e escrever sobre ela.

   

   Este post, do Prof. Jorge Carreira Maia, publicado no "Jornal Torrejano" desta semana aponta ao cerne da questão.

   Rapina-se, com a devida vénia.

  


A VER O MUNDO     http://averomundo-jcm.blogspot.com


 

As palavras do general


Fevereiro 09 2008

          

    

Armando Alves, Paisagem,

óleo s tela, 45x50, 2006


emgestaocorrente às 12:08

Fevereiro 09 2008

                                 

                     

Armando Alves, Paisagem,

óleo s/ tela, 40x30, 2004

 


 

emgestaocorrente às 12:02

Fevereiro 09 2008

 

   

Anúncio confidencial

     

Arranja-me um fio de prata dois silêncios um sorriso

e desaperta no peito dois botões pró paraíso

e dá-me beijos na testa quando começar o dia

sorri-me longa a manhã no teu corpo devagar

sendo horas de nascer tu sabes o teu lugar

    

de ti estamos distantes como quem não dá por isso

mas pressentimos no corpo uma espécie de feitiço

responde à posta restante anúncios confidenciais

se não existires eu faço-te

já esculpi outras que tais

que às vezes ao fim da tarde quando me vem o cansaço

vou atirar-me para o maple e encontro o teu regaço

e tu dizes coisas feias andas zangada comigo

e eu fico na plateia nem sei bem o que digo

e irritada tu beijas resvalas mordes ondulas

e eu que andava por tão longe quando m'insultas (e pulas)

eu transformo-me da pedra em ondas gaivotas mar

e eu que não estava ali reparo nas tuas pernas reparo na tua boca

e passo de novo a estar reparo na tua boca que eu nunca soube explicar

e sinto incêndios nas veias e sinto incêndios no mar

vêm aí horas ternas são horas de mergulhar

desculpa mundo já demos são horas de te esquecer

são horas de enlouquecer desculpa lá vou fechar

    

Pedro Barroso, CD "de viva voz"

 


 

emgestaocorrente às 11:28

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