Em gestão corrente ...como o País...

Maio 29 2007

            

      Uma mulher de 75 anos, residente em Melgaço, foi a uma consulta do IPO do Porto em Outubro de 2005.

      Aproveitou para comprar (segundo a própria), roubar (segundo o Lidl), um boião de creme no valor de 3,99 €.

      O Lidl meteu processo em tribunal (por menos de 4€ !!!).

      O julgamento decorre no Porto.

      Na 1ª sessão foi ouvida a arguida e uma testemunha de acusação.

      A 2ª sessão terá lugar a 13 de Junho e nela serão visionadas as imagens de vídeo do circuito interno do Lidl, bem como os registos das caixas registadoras desse dia.

      O advogado oficioso pediu dispensa de comparência da arguida pois teria que se deslocar no comboio do dia anterior e, recorde-se, tem 75 anos.

      O Juiz e o Delegado, apesar de mostrarem alguma benevolência de atitude, não dispensaram a sua presença.

      O Lidl não pede indemnização, mas também não desiste da queixa.

      Haverá uma 3ª sessão para leitura da sentença.

      Assim o país gastou, pelo menos:

  • o trabalho de um advogado de acusação não só para meter a acção como para estar presente nas 3 sessões do julgamento; 
  • o trabalho de um Delegado e de pelo menos 1 funcionário do Ministério Público para deduzir a acusação e estar presente nas 3 sessões do julgamento;
  • o trabalho de um Juiz para apreciar o processo, estar nas 3 sessões e fazer a sentença;
  • o trabalho de um advogado de defesa para conhecer o processo e nele intervir bem como estar presente nas 3 sessões;
  • viagens da idosa, na véspera das sessões, dormir nas escadas do Tribunal e voltar para Melgaço;
  • trabalhos vários e de vários funcionários judiciais para as diligências necessárias.

      Isto é, o país não gastou menos de muitos milhares de € (dezenas de milhares?), por causa de um boião de 3,99€ !!!

      Não há orçamento de Estado, não há produtividade que resista!

    

      (Este post foi escrito com base numa reportagem de Paula Ferreira publicado no Diário de Noticias de 24/5/2007)

     


 

     


Maio 29 2007

      Na passada 5ª feira publiquei um post, rapinado do blogue "Blasfémias", que mostrava o deserto da margem sul do Tejo (a dobrar porque era depois de almoço); na altura muitos leitores não acreditaram, pensando tratar-se de uma fotomontagem.

      Para que não subsistam dúvidas, publica-se uma fotografia que prova, definitivamente, que a margem sul é um deserto: 2 beduínos (também conhecidos por "alentejanos ") dirigem-se da Cova da Piedade para Almada onde alguns familiares possuem tenda, uma criação de carneiros e alguns camelos amestrados ("os linos estalinistas").

       

         

 

Fotografia rapinada a Fernando Quintino Estevão (www.1000imagens.com)

 


 


Maio 29 2007

        

      Do Blogue "A a Z" (www.aaz-nj.blogspot.com), do poeta Nuno Júdice , rapinei este magnifico poema.

      Com a devida vénia.                   

             

Sexta-feira, Maio 18, 2007

Cantiga

 



É pelo teu rosto em que as marés passam,
pelos teus lábios em que voam gaivotas,
pelos teus dedos em que a luz perpassa,
pelos teus olhos que me traçam as rotas,

que este barco encontra o caminho,
que este dia descobre que não é tarde,
que as palavras se bebem como vinho,
e o fogo não queima quando arde.

É no que me dizes quando a noite fala,
no que perdura da manhã que se esquece,
no que é dito em tudo o que se cala,
e não precisa de ser dito quando amanhece.

Pode ser o amor tantas vezes sentido,
ou só aquilo que vive no coração,
pode ser o que pensava ter esquecido,
e regressa agora pela tua mão.

Quantas vezes já foi primavera,
e logo aí as flores morreram:
até ao dia em que nada ficou como era,
e todas as folhas mortas reverdeceram.


 


emgestaocorrente às 19:40

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