É impossível ficar indiferente à constituição do novo governo de Zapatero. Anunciado ontem oficialmente perante uma bateria de jornalistas, fotógrafos e câmaras de TV, ficámos a saber que há mais ministras do que ministros e que, pela primeira vez em Espanha, há uma mulher na pasta da Defesa.
Carme Chacón, 37 anos, grávida de 7 meses, foi a estrela do dia. Passou revista às tropas perfiladas com o seu antecessor ao seu lado, e soube manter a pose e o aprumo que a circunstância exigia. A passagem de testemunho entre ministros da Defesa teve um impacto brutal em quem assistiu. Primeiro pela circunstância de Carme ser mulher e depois por estar à espera de um filho que nasce daqui a dois meses.
Esta primeira imagem oficial de Carme Chacón fez disparar instantaneamente a popularidade de Zapatero e do seu novo governo. Mas houve mais! Zapatero apostou forte e decidiu criar uma nova pasta: o Ministério da Igualdade.
Bibiana Aído, de 31 anos, é a nova Ministra do novo Ministério da Igualdade e a sua nomeação não deixa de ser igualmente surpreendente. Passe a redundância, a realidade desta nomeação mostra que Zapatero quer ir muito 'à frente' no seu tempo. Por dar lugar e poder às mulheres e por confiar nas gerações mais novas.
Os 31 anos de Bibiana Aído e a gravidez evidente (e quase de termo) de Carme Chacón dizem muito nos dias que correm. Embora não seja fã de Zapatero tiro-lhe o chapéu pela ousadia com que rasga o horizonte governamental e institucional. Não só investe na competência e inteligência femininas, como não se importa de 'esperar' que a nova ministra da Defesa tenha o seu filho e fique de baixa nos primeiros tempos. Mais, acredita que após o parto Carme continua a ser a mulher mais apta para o serviço.
Zapatero contraria assim a lógica em vigor em muitas empresas, que desaconselham as mulheres a terem filhos para poderem evoluir na carreira e serem produtivas. Pobres empregadores estes que acreditam que uma mulher é mais produtiva e mais eficiente se a sua vida pessoal e a sua evolução profissional forem condicionadas (ou mesmo prejudicadas) pelo facto de quererem constituir família.
Gostei do que vi ontem e fico atenta à performance das novas ministras espanholas e destas duas em particular.
