Em gestão corrente ...como o País...

Outubro 24 2007

  

   Com a cabeça fria, passada a espuma dos acontecimentos e com o distanciamento que uma semana e meia permite, um olhar em 12 itens sobre o Congresso do PSD que decorreu em Torres Vedras, de 12 a 14 deste mês.

        

   1. O sal e a pimenta que temperavam os Congressos do PSD, que empolgavam os militantes  e, através dos directos da comunicação social,  monopolizavam as conversas dos portugueses, perderam-se completamente a partir do momento em que o principal motivo de interesse já estava resolvido 2 semanas antes - a eleição do líder em directas.   

   O Congresso arrastou-se, assim, com intervenções, na sua generalidade, irrelevantes . 

   Daí toda a gente considerar o Congresso como morno  - na realidade foi incolor, inodoro,  e insípido .

   Sou, no entanto, favorável às directas pois, como se viu, permite um inegável aumento da participação dos militantes nas decisões mais importantes da vida do partido e, portanto,  produz um acréscimo de democraticidade interna.

   É, também, o maior obstáculo ao fabrico prévio de líderes por parte da aristocracia que ainda domina o aparelho partidário. 

          

   2. Expurgado dos debates das candidaturas a líder e respectivas moções de estratégia, é um disparate  (e uma perda de tempo) um Congresso com uma duração de 3 dias.

   O sábado chegava perfeitamente e permitia significativas economias ao partido e aos participantes.

         

   3. As moções, por serem inúmeras e, geralmente, marcadamente sectoriais, são apresentadas de afogadilho e em ambiente não propicio a uma discussão profícua.

   Na realidade, a moção importante - a de estratégia global do líder, já está prévia e tacitamente aprovada.

   Aliás, dá a impressão que uma boa parte das moções se destinam, apenas, a marcar terreno nas concelhias e distritais.

       

   4. Foi penoso ver (e ouvir) a sucessão de gente que subiu ao palco apenas para lembrar a Luís Filipe Menezes que o apoiaram durante a campanha para as directas.

   O que, em politiquês , significa: "não te esqueças de mim quando houver distribuição de lugares"...!

         

   5. Ainda mais penoso foi ver (e ouvir) a fila de apoiantes de Luís Marques Mendes, declarar esse facto (o que era do conhecimento público ) mas acrescentar que estavam ali para apoiar a unidade do partido e colaborar lealmente com o novo líder.

   O que, em politiquês , significa : "não te esqueças de mim na próxima distribuição de lugares porque sou indispensável para a unidade do partido"...!

   E de lealdades, em politica, estamos conversados...

          

   6. Este foi um Congresso essencialmente "popular".

   Com a quase completa ausência de barões e outros fidalgos (hão-de reaparecer quando Luís Filipe Menezes ganhar as próximas legislativas), o parque automóvel sofreu uma visível e muito notada alteração: as fogosas máquinas de topo de gama que atafulhavam , antigamente, as imediações dos congressos, deram lugar a carros normais, de gente normal.

        

   7. Teve imensa piada ver os poucos barões presentes circularem sozinhos sem as numerosas comitivas de atentos, veneradores e obrigados seguidores de outrora.

   Neste Congresso, além de deambularem sozinhos tentavam (oh! milagre dos céus!)  cumprimentar, pessoalmente, todas as pessoas com quem se cruzavam (onde a pose superior e o cumprimento fugaz e sobranceiro de outros tempos?).

                 

   8. Foi penoso ver e ouvir uma das referências do partido actuar, uma vez mais, à António Vitorino, desaparecendo sempre que algum desafio partidário exige a sua candidatura.

   Com efeito, Manuela Ferreira Leite saiu diminuída deste Congresso: além de se furtar ao desafio que lhe foi proposto, enredou-se num discurso que, apesar de doutoral, não passou de um punhado de considerações do mais tacanho e mesquinho tacticismo .

   Regionalização: não falar, porque é fracturante e quem tem compromissos com o eleitorado é o PS. Então Luís Filipe Menezes, na sua moção , não se tinha mostrado, moderaamente , favorável? E sobre os assuntos sobre os quais o PS tem compromissos o PSD não deve tomar posição? Era o que mais faltava!

   Referendo do tratado europeu: não falar porque senão arriscamo-nos a ter a mesma posição que o PS! Portanto, se o PS cantar o hino nacional, o PSD deve cantar a "Joana come a papa"!, para se diferenciar!

   Descida dos impostos: nem pensar, senão estamos a dizer ao eleitorado  que o governo do PS governou tão bem que é possível diminuir a carga fiscal! Mas percebi bem? ou a senhora ensandeceu?

         

   9. Aguiar Branco foi marcar terreno para uma próxima disputa para líder.

   Parece que teria sido um excelente Ministro da Justiça se tivesse tido tempo para isso.

   Como putativo líder, enredou-se num fastidioso e interminável discurso sobre elites e militantes a que ninguém, saudavelmente, ligou importância.

        

   10. Deste Congresso, sem dúvida , os únicos salvados que vão ficar para o futuro são os dois excelentes discursos de Luís Filipe Menezes: o de abertura e o de encerramento (especialmente este, apesar de um pouco longo).

   Marcou a agenda dos próximos tempos e lançou um repto que vai alimentar muitas e boas discussões nos próximos anos: a necessidade de uma nova Constituição expurgada dos pressupostos ideológicos marxistas que marcam a Constituição vigente .

   Voltaremos com mais vagar e detalhe a estes discursos.

         

   11. A grande debilidade do Congresso: as listas, especialmente a mais importante - a da Comissão Politica Nacional.

   Para quem ganhou em eleições directas e com tal expressividade, que sentido faz  apresentar listas com tantas irrelevâncias politicas, alguns fantasmas esquecidos do passado, sem renovação , sem aparente capacidade mobilizadora de militantes e, mais importante, dos eleitores?

   A ver vamos se traduzem uma opção pessoal ou cedência  a pressões  de alguém.

   Isto é: se vão servir para alguma coisa ou, se pelo contrário, Luís Filipe Menezes vai actuar e decidir apenas com base na sua visão pessoal embora assessorada pela sua entourage inicial (que, aparentemente, parece  estar pouco representada as listas).

   Voltaremos, também, a este assunto.

           

   12. Finalmente, duas questões centrais para os próximos actos eleitorais: juventude e mulheres.

   A juventude, em geral, e a JSD, em particular, ficaram célebres em campanhas eleitorais de antanho: quem se esqueceu do papel e da importância da juventude nas vitórias de Aníbal Cavaco Silva?

   Neste Congresso, no seguimento dos imediatamente anteriores, quase não se viram (nem se ouviram) jovens; o alheamento da juventude está a tomar proporções inquietantes.

   A paupérrima representação das mulheres (havia delegadas? - não se notou!) e os rarísimos e subalternos lugares a elas reservados nas listas, foram chocantes.

   O período áureo de Cavaco Silva marcou uma progressiva subida das mulheres aos cargos de responsabilidade partidária e governamental.

   Desde Durão Barroso que as mulheres parecem só servir, no PSD, para enfeitar jantares de apoio a homens.

   Todavia são já, hoje, a maioria dos técnicos superiores em qualquer ramo das actividades profissionais, mesmo das, outrora, mais tradicionalmente masculinas.

   Em que órgãos do partido está traduzida esta realidade?

   Constituem mais de 54% do eleitorado em geral.

   Em que órgãos do partido está traduzida esta realidade?

   Voltaremos, sem dúvida, a esta questão


emgestaocorrente às 20:23

Setembro 30 2007

   

   Passados quase 2 dias completos sobre a vitória de Luís Filipe Menezes , o site oficial do PSD ainda ignora, olimpicamente, esse facto na página de entrada!

   Apenas uma janela chama a atenção para os resultados eleitorais; entrando nessa janela, aparece uma outra que dá acesso à acta do Conselho de Jurisdição!

   Mas nunca aparece o nome do vencedor.

   Se isto é o "mendismo", bendito seja  Deus que nos livrou de tal coisa!

 



Setembro 30 2007

   

   O Portugal dos Pequeninos  é um dos blogues por onde passo quase diariamente pois não concordando, na generalidade dos posts, com o seu conteúdo, tiro, frequentemente, ensinamentos da sua leitura.

   O comentário que abaixo se trancreve está bem escrito e tem piada.

MENEZES

 

O dr. Menezes é o novo presidente, eleito pelos militantes, do PSD. Se assim foi, é porque ele os merece e eles merecem-no. Daqui para diante o que interessa é seguir os seus passos contra o Estado totalitário do absolutismo socialista com as habituais cumplicidades da direita oportunista e "interesseira". Marques Mendes sabe, porque anda nisto desde o bibe, que não existe gratidão em política. Será, como sempre foi no passado, exemplar e leal com os novos e precários poderes dentro do partido. As "elites", as eternas "elites" do PSD fariam bem em meditar nesta vitória da "feira do relógio" sobre a "loja das meias". Cavaco Silva, o "noivo" de Sócrates, também. No meio disto tudo (do "tudo doido") pode ser que Santana Lopes aceite ser líder parlamentar como aqui já defendi. Afinal, foram "os seus" que ganharam. Agora não tem desculpa para ficar a ver passar os comboios.

 


Setembro 30 2007
   
   Quase sempre José Pacheco Pereira está em desacordo com tudo e com todos.
   Quase sempre é brilhante nas suas análises e comentários; muitas vezes acrescenta novos pontos de vista e antecipa tendências que andam no ar e que depois se verificam na realidade.
   Mas tem um problema: detesta tudo e todos que não pertençam ao seu pequeno mundo de intelectual, pensador e politico (sim porque ele também é politico e gostaria de influenciar decisivamente a politica do PSD e do país) bacteriologicamente e ideologicamente puro.
   Daí os exageros que faz alarde em mostrar na Quadratura do Círculo (SIO-Noticias, 4.as feiras às 23H00), em relação a certos assuntos (como o desporto, especialmente o futebol), terreno impuro e mais próprio de mortais vulgares que de etéreos pensadores.
   Daí, também, dislates como o que publicou ontem no seu Abrupto e que se reproduz abaixo.
   Será que José Pacheco Pereira ensandeceu de vez?
   Ou os militantes (o povo) só sabe o que quer quando vota de acordo com a vontade de momento de José Pacheco Pereira?
29.9.07
 


(JPP)

ORNITHORHYNCHUS PARADOXUS 4: A ACEDIA



Na lista dos pecados mortais inclui-se a "preguiça" e muita gente pensa que o pecado é mesmo a preguiça. Não é: o pecado mortal é a acedia que é outra coisa bem diferente. Um dos textos mais interessantes da Summa Theologica de Tomás de Aquino é sobre a acedia e por ele se percebe por que razão é um dos pecados "espirituais" mais complexos da lista cristã. A acedia é a indiferença face ao mal, uma "tristeza" face ao bem (Tristitia de bono spirituali) que mata a acção, um torpor perante uma obrigação presumida.

Um dos grandes e eficazes eleitores de Menezes foi a acedia.

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(JPP)

 


 


Setembro 25 2007

 

   O PSD  vai eleger na próxima 6ª feira, pela primeira vez, o Presidente do partido em eleições directas e, supunha-se, por voto universal.

   Estas eleições, que ocorrem antes do tempo, foram convocadas por M. Mendes que se demitiu após a histórica e humilhante derrota nas eleições autárquicas de Lisboa, cuja Câmara tinha caído por intervenção directa do próprio M. Mendes.

   M. Mendes, que domina o Conselho Nacional e o Conselho de Jurisdição, impõe, como regra, que só os militantes com as quotas pagas até passado dia 18 poderiam votar.

   À partida seguro da vitória pois contava com o apoio da nobreza e do clero do partido, rapidamente verificou que os resultados não estavam assim tão seguros como imaginava.

   Esqueceu-se que existe uma grande tradição de independência nos militantes anónimos do PSD. Só raramente, e quando não há alternativa, é que os militantes se calam.

   Luís Filipe Menezes corporizou o descontentamento generalizado do povo do partido em relação à actual direcção e a sua campanha, apesar das pressões dos barões e baronetes instalados, engrossou fileiras.

   M. Mendes, a fidalguia e os bispos de poleiro montado em domingueiras e televisivas homilias começaram a ter medo e valeram-se de G. Silva (delegado continental de AJ Jardim) e do seu cargo para inventarem novas regras sancionadas pelo C de Jurisdição a que ele preside.

   Assim inventaram a regra de que os açorianos, coitadinhos, que não tinham tido a oportunidade de pagar as quotas até ao dia 18 (não havia euros nos Açores?) podiam pagar até ao próprio dia das eleições (e quem controla os cadernos eleitorais?) e, portanto votar.

   Deu-se, assim, o milagre da multiplicação dos peixes e os 80 eleitores em condições de votar transformaram-se em mais de 8.000 (!!!), na presunção de que a maioria sejam afectos ao poder instalado!

   Fizeram desaparecer dos cadernos eleitorais um número indeterminado (pode atingir vários milhares) de militantes com as quotas em dia, pensando tratar-se, pelas secções em que estão inscritos, de apoiantes de Luís Filipe Menezes.

   Eliminaram cerca de 1.500 militantes por, supostamente, se tratar de eleitores  que teriam pago as quotas através de apoiantes de Menezes.

   Puseram milhares de vales de correio a circular, pagando as quotas de militantes que pensam que lhes são afectos.

   Não existe Comissão Eleitoral Independente; M. Mendes negou-se a aceitar a designação de Manuela Ferreira Leite para presidir a essa comissão.

   Quem trata de toda a intendência são dois dos seus apoiantes e cujos lugares dele dependem.

   Infelizmente estes factos fazem lembrar (e parecem copiados) do salazarismo; há nitidas semelhanças com as eleições em que o General Humberto Delgado foi roubado pelo Salazar.

   Mas há uma diferença: Salazar assumia, M. Mendes, fazendo juz à sua baixa estatura, faz a guerra, monta os golpes baixos e depois vem para a televisão com ar virginal queixar-se que os seus adversários não falam de outra coisa!

   Mas a verdade é que se à custa destas trafulhices  M. Mendes ganhar, serão os barões e bispos que actualmente dizem apoiá-lo, os primeiros a colocarem-lhe patins quando ^chegar o momento que lhes pareça mais oportuno para os seus interesses.

   Por estas e por outras, se eu ainda estivesse hesitante sobre quem apoiar, tomaria agora a decisão de votar em Luís Filipe Menezes!

   E espero que isso suceda com todos os sociais democratas que trabalham e têm vida profissional e que encarem a politica como uma intervenção civica e não o único ganha-pão.

    



Setembro 23 2007

   

   É sabido que o actual governo tem baixado o deficit (apesar do constante e acentuado aumento das despesas) à custa da maior subida de impostos verificada em toda a união europeia - já publiquei um post , com dados oficiais, sobre esse facto.

   Os contribuintes estão fartos desta situação, até porque, por outro lado vêem os serviços essenciais com pior funcionamento e prestações mais caras.

   Perante esta situação que propõem as foças politicas do "arco governamental"?

   Sócrates e os seus apaniguados declara baixar os impostos logo que possível - leia-se: em 2009, nas vésperas de eleições, para aproveitar o impacto eleitoral dessa medida.

   Marques Mendes, apertado internamente pelo medo do resultado da próxima 6ª feira, contraria a opinião dos seus principais apoiantes na área da economia (Eduardo Catroga e não só) e exige a imediata descida do IVA e do IRC, esquecendo que o deficit volta a disparar, até porque as despesas continuam a crescer.

   Luís Filipe Menezes parece ter a única posição séria,  estruturada e independente dos possíveis impactos eleitorais: baixar os impostos à medida que se diminuir a despesa e tomar medidas para atrair o investimento e estimular a economia (e já agora: é o único que tem demonstrado preocupações com a calamidade nacional que é a desertificação, o retrocesso económico do interior e a brutal intensificação das disparidades regionais).

   Também por isto vou votar Luís Filipe Menezes no próximo dia 28.

    

 

 



Setembro 17 2007

  

   

   

   No próximo dia 28 vou votar em Luís Filipe Menezes para Presidente do PSD e, em 2009, para Primeiro Ministro de Portugal.

   Há muitas razões par a minha decisão, mas quero, de momento, destacar duas.

   A primeira deve-se ao facto de Luís Filipe Menezes ser uma pessoa "normal", da vida real.

   Tem uma profissão, exerceu-a durante vários anos, especializou-se num dos hospitais de referência em França, deu aulas na Faculdade de Medicina do Porto.

   A qualquer momento, pode regressar à sua profissão, tem essa retaguarda assegurada; onde, aliás, pode auferir proventos bem maiores que na politica.

   Luís Marques Mendes também tem um curso universitário, mas, práticamente nunca o exerceu senão por momentos breves e de uma maneira marginal.

   Não tem um percurso profissional que lhe sirva de rectaguarda.

   É um politico profissional desde que começou a aparar o buço.

   E embora a essência da democracia seja a existência de partidos politicos e estes , hoje em dia, só possam existir se dispuserem de um corpo de profissionais que garantam a sua continuidade administrativa e organizativa para além das crises ciclicas que naturalmente os afectam, não concordo que esses profissionais, sem vida real própria atinjam os lugares de liderança máxima.

  Um bom técnico pode, e deve, ocupar um lugar de Director Geral, uma assessoria ministerial, mas só por ser um bom técnico não deve exercer as funções de ministro.

   Luís Marques Mendes pode ser um Secretário Geral, não tem condições para ser o Presidente do PSD (como, aliás, o tem demonstrado nos últimos dois anos).

   A segunda razão para o meu voto liga-se à coragem individual de cada um dos candidatos.

   Luís Marques Mendes fez cair a principal Câmara do país ( e não é agora o momento indicado para ajuizar da bondade dessa decisão).

   Estaria, decerto, convencido da facilidade em arranjar um candidato de "peso" que mantivesse a Câmara de Lisboa no PSD.

   A verdade é que todos os seus generais se recusaram à prova eleitoral e, súbitamente ficou sem candidato.

   Em condições semelhantes, Jorge Sampaio, assumiu essa luta politica, arriscou o seu lugar e o seu futuro, e venceu!

   Luís Marques Mendes tremeu, deitou mão ao primeiro acompanhante que não teve coragem para se negar (e a honorabilidade e a competência técnica, profissional, de Negrão não estão em causa) e escondeu-se atrás desse candidato, averbando a maior, a mais pesada e a mais humilhante derrota eleitoral de que há memória na democracia portuguesa.

   Maior ainda (e mais humilhante) que a de Mário Soares nas últimas presidenciais.

   Quer, agora, levar o PSD à mesma humilhação, em 2009 (como, aliás, a totalidade das sondagens indiciam):

   Luís Filipe Menezes, em circunstâncias dificeis, demonstrou coragem pessoal e politica ao concorrer (e ganhar!) à terceira maior Câmara do país, até então do PS.

   Aliás, como Presidente da Distrital do Porto, obteve um resultado histórico, colocando o PSD como a principal força politica do distrito em termos autárquicos e conquistando a presidência da Área Metropolitana do Porto.

   São duas posturas diametralmente diferentes!

   Estas duas razões, só por si, são mais que suficientes para que o meu voto, em liberdade e em consciência, vá, sem hesitação, para o companheiro Luís Filipe Menezes.

   Para bem do PSD, para bem de Portugal.

   


   

  


Junho 23 2007

     

   Luis Filipe de Menezes, Presidente da Câmara Municipal de Gaia (a 3ª ou 4ª maior Câmara do país), publicou no seu blogue, na 5ª feira passada, este excelente post   que não resisto a rapinar, com a devida vénia. 

  

Travar para pensar

Há uns meses optei por ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dei comigo num comboio que só se diferenciava dos nossos alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos passageiros,
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas. Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza.
A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins--de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade. Percebe- -se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.
O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.
É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos.
Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não terá qualquer repercussão na economia do País. Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.
Com 7,5 mil milhões de euros pode construir-se mil escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um). Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária. Cabe ao Governo reflectir, cabe à oposição contrapor, cabe aos cidadãos rebelarem-se.

 


emgestaocorrente às 18:07

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