Em gestão corrente ...como o País...

Fevereiro 05 2009

  

Na margem de um rio

 

    

   São assim os amigos, frágeis, como dunas.

   Altas labaredas os consomem

   e dizem nomes, recados de amor.

    

   Nada os habita quando damos as mãos,

   os rostos recortados no frio azul

   para reparar o que nos une e o que nos afasta.

    

   São assim os amigos, vêm

   com uma ferida móvel entre os dedos

   juto de mim. Perdidos eu os encontro,

   aos amigos,ao que por ser frágil perdura

   como uma claridade um nome branco.

   

Francisco José Viegas, in

"Metade da VIda", Ed. Quasi, Lisboa, 2002.

    


 

emgestaocorrente às 16:19

Dezembro 23 2008

  

   De Francisco José Viegas no "A origem das espécies":

   

||| Palavrório.
 

   Vejamos. Portugal não é diferente dos outros países em matéria de excesso de palavrório.

   Mas é uma pena que, no meio de tanto discurso, declaração, comissão parlamentar de inquérito, audições e audiências, se percam às vezes coisas que valia a pena reter. António Ribeiro Ferreira fala do assunto na sua crónica de ontem, no CM.

   Por exemplo, o Procurador-Geral da República afirmou no Parlamento que o senhor Governador do Banco de Portugal foi alertado para uma grande fraude internacional que envolvia o BPN.

   Quando? Há quatro anos. Devia o BP estar de sobreaviso? Sim. Esteve? Não.

   O Procurador disse também que não tem meios para investigar crimes de corrupção.

   Ao ouvir isto, os deputados o que fizeram? Peocuparam-se? Não. Mas devem estar a nomear uma comissão de inquérito.

   [Da coluna do Correio da Manhã.]


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Novembro 19 2008

   

   Francisco José Viegas, um poeta (este blogue já publicou vários dos seus poemas) e romancista da família da "esquerda", escreveu este post , no "A origem das espécies", que vale a pena ler:

 

||| Vigilantes de colégio interno.

Ah, país de moralistas e de vigilantes! Claro que fez jeito «a gaffe de Manuela Ferreira Leite». Na verdade, de outra maneira não poderíamos ouvir de novo Alberto Martins com aquela voz de surda indignação e inequívoca superioridade moral (a mesma que o levou a manter-se surdo e mudo a propósito do caso DREN/Charrua, por exemplo – para provar que democracia é só palavreado), a criticar a falta de cultura cívica? Às 15h40 de ontem, o relato do Jornal de Negócios dizia que toda a sala se tinha rido e que se tratava de ironia. Mas – ah! – não se pode ironizar sobre coisas sérias. As coisas sérias devem deixar-se para as pessoas demasiado sérias.

Sim, dá-lhes jeito, como vigilantes de colégio interno, «a gaffe de Manuela Ferreira Leite». Mas não passa disso mesmo: gente com queda para o pequeno escândalo, levantando a virtuosa batina com a pontinha dos dedos, enquanto dão saltinhos junto dos charcos: «Já te molhaste! Já te molhaste!»

 

P.S.- Claro que há outra imagem para esta onda de escandalizados, e que vai do toque florentino à divisão Panzer: vamos aproveitar o deslize enquanto não nos apanham nos nossos.



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Novembro 06 2008

   

Variação

  

     

Uma eternidade, mesmo se a tivesse nos dedos,

seria pouco para o tempo que a chuva demora

nos teus lábios: quase o tempo de

um pássaro rondar as rosas, e morrer.

   

    

Francisco José Viegas, in

"Metade da Vida"

   


 

emgestaocorrente às 22:18

Outubro 31 2008

   

   Francisco José Viegas no "A Origem das Espécies" tem esta ideia brilhantemente irónica mas que encerra um grande perigo:

o inefável e indescritível Valtr Lemos, Secretário de Estado socialista (sim esse vereador da Câmara de Penamacor pelo CDS, que perdeu o mandato por faltas injustificadas!!!) pode julgar que é a sério e pô-la em prática!!!

    

   

31 de Outubro de 2008
||| Chumbos.
     

O Conselho Nacional da Educação vem propor que acabem os chumbos até ao 9.º ano – é uma medida e tanto, que o Sr. Secretário de Estado Valter Lemos festeja com as mãos ambas, uma vez que parece ser ele o encarregado de velar pelas estatísticas. Acho que o Sr. Secretário Lemos está a ser modesto em matéria de “mecanismos de alternativa a chumbos”. Defendo que, na hora do baptismo, perdão, no registo civil, seja atribuído logo o 9.º ano a cada pequeno cidadão. Assim, evitam-se logo os chumbos. Parece, além do mais, que o chumbo é visto como uma tentativa de responsabilizar os alunos e os pais, o que – no entender do Sr. Secretário Lemos e do sempre espantoso Albino Almeida, da confederação dos paizinhos – não pode acontecer. Sim, de facto, onde é que isto se viu? Na Finlândia?

[Da coluna do Correio da Manhã.]


 


 

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Agosto 17 2008

   

   De "A Origem das Espécies", de Francisco José Viegas, este post sobre a lusa misturança:

  

 

 

       Elogio da raça impura.

 
    
Se há uma coisa digna no nosso “amor à raça” é misturá-la alegremente e sem grandes debates. Casámos bastante pelo mundo fora desde o século XVI – e a excepção cabe a períodos de decadência fatal em que ficámos reduzidos ao rectângulo europeu ou vivemos isolados dos outros. Os dados do Instituto Nacional de Estatística, por exemplo, dizem que os casamentos com imigrantes duplicaram nos últimos cinco anos, o que deve incomodar os “puristas da raça”. Ora, a “nossa raça” é impura, felizmente – como os nossos apetites e os nossos desejos. Camões, que serviu para ilustrar a ideologia da “raça”, pintou-nos dessa forma: ele sabia que a “nossa raça” era impura, imoral, e muito disponível para o que os especialistas em demografia chamam “cruzamentos”; não – é mesmo misturança.
[Da coluna do Correio da Manhã.]


 

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Julho 21 2008

   

   Francisco José Viegas no "Origem das Espécies" escreveu o post que a seguir se publica.

               

21 de Julho de 2008
||| Política de emergência

  O retrato do primeiro-ministro é o de um gestor em dificuldades, e é pena.

   Enquanto deixa aos outros – medíocres – a tarefa de fazer política, ele anda de malas aos tombos, a fazer negócios aqui e ali, em Angola e na Líbia, onde estão mercados ao nosso alcance.

   A política está pobre e ele aproveita para captar fundos. Longe do PS doméstico, uma espécie de rumor distante e cacofónico, Sócrates distribui elogios a Eduardo dos Santos e a Khadafi, como se isso não tivesse importância.

   Não deve ter, porque daqui a nada vem Hugo Chávez e os dois darão um forte abraço em nome dos negócios e do petróleo.

   Portugal transforma-se num cenário atípico da política de emergência, flutuando e vendendo ao melhor preço.

   Não é isso que ela, a política, tem sido nos últimos tempos?

[Da coluna do Correio da Manhã.]


 

 


Maio 06 2008

         

   Do blogue "A origem das espécies", de Francisco José Viegas, este olhar distante (em termos partidários), mas que permite uma interessante reflexão. 

           

||| Reler.
     
   A entrevista de Pedro Passos Coelho a António Ribeiro Ferreira, no CM de ontem, é um marco na história do PSD e é natural que suscite entusiasmo. Não sei onde andou Passos Coelho até agora mas, se esteve a estudar a lição, foi tempo bem empregue. Reconhece-se a sua filiação ideológica, mas percebe-se que o PSD das suas facções tradicionais não tem ali lugar. Também não se sabe até que ponto os militantes do partido, os que têm direito a voto, estão despertos para esse tipo de discurso e de ideias. É provável que a partir de agora ele venha a ser visto como o candidato com ideias mais modernas e dê voz ao eleitorado flutuante do PSD (a classe média das cidades) mais do que às concelhias – que têm sido um factor de atraso estrutural do partido. Se isso basta para ganhar as directas, não se sabe. Mas depois de ter dito o que disse está aberta a porta para a reforma antecipada dos dinossauros, de Santana a Jardim, passando por Menezes e pelo hemiciclo laranja de hoje.
[Da coluna do Correio da Manhã.]


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Novembro 13 2007

  

Não ter ilusões sobre o mar

   

     

Desembarcar subitamente no meio do mar.

    

Surpresa e contentamento de te ver e não saber

o teu nome nem a distância que vai dos lábios às rosas,

a sua diferença subtil - desembarcar no mar e

largar os navios à sua longa vagem, porque uma voz

nos chama, e não sabemos que voz nos chama,

e ser a tua voz sem saber que é teu o rasto

dos pássaros, o que resta das marés.

  

Francisco José Viegas, in

"metade da vida", Ed. Quasi, 2002

 


 

emgestaocorrente às 18:53

Outubro 25 2007

    

Recado 

     

Regressar ao brilho das manhãs,

como se antes houvesse

escuridão, e agora voltasse o Verão.

    

Francisco José Viegas

in "Metade da vida", Edições Quasi, 2002

  

(3 versos, apenas, tão simples, e valem um livro inteiro!)

   

 


 

emgestaocorrente às 22:08

Março 15 2007

                

Quando digo o nome do mar não é do mar

que digo o nome, mas de tudo o que

antes e para lá do mar ficou

em sobressalto nos perigos da sua travessia.

         

Aprendi isso em lugares raros,

como o último silêncio, a última gota

de água ou de mel.

              

Francisco José Viegas

in "Metade da Vida"

                 

 


 

emgestaocorrente às 11:21

Fevereiro 14 2007

         

Repara como é denso o seu olhar,

como ele se assemelha ao olhar de uma ave

perdida no mar,

        

como é brando o seu corpo, sem ferir,

como se acabasse de nascer.

                

Francisco José Viegas

in "Metade da Vida"

                          

 

emgestaocorrente às 19:23

Janeiro 25 2007

 


 

 

É assim a luz, encantamento e euforia.

Nela estou intenso e exausto, ela me acolhe

entre muros,

 

dela acolho o tempo, a finíssima alegria

do tempo. É nas suas margens que vive

esse rosto infinito, a altura do anjo

debruçado na solidão,

 

na branca e azul luz de Évora, no sul,

onde apetece a alegria, uma casa abrigada

da tempestade.

 

Francisco José Viegas

in "Metade da Vida", 2002

 

emgestaocorrente às 23:43

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