Em gestão corrente ...como o País...

Outubro 02 2009

Tentas, de longe, dizer que estás aqui.
Com peso triste caminha na rua o Outono.
O meu coração debruça-se à janela
a ver pessoas e carros, e as folhas caíndo.

Mastigo esta solidão
como quando era pequeno e jantava
diante dos pais zangados:
devagar, ausente.


Fernando Assis Pacheco, in "A musa irregular"
Ed. Asa, 1997

 

emgestaocorrente às 11:49

Outubro 29 2008

   

Peso de Outono

    

Eu vi o Outono desprender suas folhas,

cair no regaço de mulheres muito loucas.

Cem duzentas pessoas num café cheio de fumo

na cidade de Heidelberg pronta para a neve

saboreavam tepidamente a sua ignorância.

  

Eu vi as amantes ensandecerem

com esse peso de Outono. Perderam as forças

com o Outono masculino e sangrento.

Os gritos a meio da noite

das amantes a meio da loucura voavam

como facas para o meu peito.

 

Alguns poetas li-os melhor no Outono,

certos amores só poderia tê-los,

como tive, nos dias doces da vindima.

   

Fernando Assis Pacheco, in

"A Musa Irregular", Edições Asa, 2º ed., 1996

    


 

emgestaocorrente às 19:07

Julho 31 2008

   

                               

   Paulo de Carvalho tem (teve) uma das melhores vozes do último meio século, em Portugal.

   O seu trabalho, como cantor e como autor de músicas, tem oscilado entre o muito bom e o suficiente menos(...).

   Tem, também, o mérito de ter musicado e cantado alguns poemas do muito saudoso (e muito injustamente esquecido!) Fernando Assis Pacheco.

   Esta canção, salvo erro com poema do Fernando, além de ser uma bela canção, tem a mais valia de recordar o meu tempo - tempo em que namorar nos cinemas (matinés e soirés, como então se dizia) eram momentos raros de grande prazer e felicidade, como só os cinquentões para cima podem compreender!

    


 


Fevereiro 25 2007

                      

Não sei se li em Arnaldo Gama

ou no mapa do Automóvel Clube

envelhecer para morrer em paz

é melhor no Norte do que no Sul

                     

pergunta a douta Ordem dos Médicos

se tenho de ser severo e brusco

em questões destas sou terminante

morre-se mais descansado com saúde

                                    

atente bem o sr. bastonário

se uma doença triste não é o cúmulo

e há mais: nos doze meses seguintes

os familiares deviam evitar o luto

             

digo-o para tranquilizar a Nação

em época de crise tão profunda

um enterro no Norte chega a ser alegre

morteiros gigantones bandas de música!

            

Fernando Assis Pacheco

in "A Musa Irregular", 1990

               

 


 

emgestaocorrente às 17:11

Fevereiro 03 2007

Do beijo fica um sabor,

do sabor uma lembrança,

um vento leve, uma espuma.

 

Do beijo fica um sereno

olhar, o amor de coisas

minúsculas e humildes,

um pássaro que vai e vem

da nossa boca às palavras.

Do beijo fica, suprema,

a descoberta da morte.

Um vento leve, uma espuma

salgada, à flor dos lábios.

 

Fernando Assis Pacheco,

in  "Musa Irregular"

 


 

emgestaocorrente às 19:12

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