Em gestão corrente ...como o País...

Fevereiro 08 2009

    

  De "Corte na aldeia", a vida como ela é:

Pelo mistério

 



Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Arnaldo Jabor

    


 

emgestaocorrente às 11:40

Janeiro 23 2009

     

   Do diariamente indispensável "Corte na aldeia":

Coisas efémeras que nunca acabam

 

















Quels doux supplices
Quelles délices,
De brusler dans les flammes
De la beauté des Dammes.

Antoine Boesset
 pindaro
# posted by cortenaaldeia @ 1/23/2009

 


 

emgestaocorrente às 15:05

Janeiro 19 2009

    

   Do indispensável "Corte na aldeia":

   

Amor sobre amor



 

 


 


 


 


 

Questão é curiosa nesta Filosofia, qual seja mais precioso e de maiores quilates: se o primeiro amor, ou o segundo? Ao primeiro ninguém pode negar que é o primogénito do coração, o morgado dos afectos, a flor do desejo, e as primícias da vontade. Contudo, eu reconheço grandes vantagens no amor segundo. O primeiro é bisonho, o segundo é experimentado; o primeiro é aprendiz, o segundo é mestre: o primeiro pode ser ímpeto, o segundo não pode ser senão amor. Enfim, o segundo amor, porque é segundo, é confirmação e ratificação do primeiro, e por isso não simples amor, senão duplicado, e amor sobre amor. É verdade que o primeiro amor é o primogénito do coração; porém a vontade sempre livre não tem os seus bens vinculados. Seja o primeiro, mas não por isso o maior.

Padre António Vieira
emgestaocorrente às 16:50

Janeiro 15 2009

    

   Outros dois bons momentos do "Corte na aldeia":    

Recomendações

 








C'est très joli d'être innocent ; il ne faut pas en abuser. 


 Marcel Pagnol

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Suavidades






Mantem os olhos bem abertos antes do casamento e meio fechados depois.
 
 
Benjamin  Franklim
                                                                                    

 

emgestaocorrente às 16:29

Janeiro 15 2009

     

   Do diáriamente indispensável "Corte na aldeia", dois grandes momentos:  

A construção do efémero

 


É melhor não fazermos muitos planos para a vida para não baralharmos os planos que a vida tenha para nós

agostinho da silva

 

    

     

 

Princípio e fim

 



Andamos e não chegamos. O andar é tudo, princípio e fim.

Teixeira de Pascoaes

     


 

emgestaocorrente às 16:17

Dezembro 21 2008

  Do "Corte na aldeia", com a devida vénia:  

Une fête

 

Le premier mérite d'un tableau est d'être une fête pour l'oeil.

Eugène Delacroix

 


 

emgestaocorrente às 10:48

Outubro 29 2008

     

De volta ao "Corte na aldeia", com todo o gosto e a devida vénia:

         

Era chama de queimar

   

 

 

 

 

Seus olhos – se eu sei pintar
   O que os meus olhos cegou –
   Não tinham luz de brilhar,
   Era chama de queimar;
   E o fogo que a ateou
   Vivaz, eterno, divino,
   Como facho do Destino.
   Divino, eterno! – e suave
   Ao mesmo tempo: mas grave
   E de tão fatal poder,
   Que, um só momento que a vi,
   Queimar toda alma senti...
   Nem ficou mais de meu ser,
   Senão a cinza em que ardi.


Almeida Garrett


pindaro      
# posted by cortenaaldeia @ 10/29/2008 01:29:00 PM 0 comments

   


 

emgestaocorrente às 21:27

Outubro 05 2008

No vento fundida



Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos... No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará... andará...
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os ramos um doce suspirar,
Se te aperta os dedos uma mão pequena
Que te toma e te deixa, que te engana e se vai.
Se não vês essa mão, nem essa boca que beija,
Se é o ar quem tece a ilusão de beijar,
Ah, viajante, que tens como o céu os olhos,
No vento fundida, me reconhecerás?


Alfonsina Storni

   De regresso ao "Corte na aldeia", de onde foi rapinado, com a devida vénia, este post.

     


 

emgestaocorrente às 10:51

Setembro 17 2008

A sombra da casa onde nasci

 


Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão...

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração.

David Mourão-Ferreira

     

Rapinado, com a devida vénia, do indispensável "Corte na aldeia"

     


 


Agosto 28 2008

  

   Rapinado do "Corte na aldeia", blog de visita diária obrigatória, este delicioso texto:

A quinta essência

 














Reuniu Deus para compor a mulher - remate, coroa e epílogo da criação - a quinta essência de tudo quanto derramara de melhor no paraíso, onde a colocou, e do qual, ainda depois de perdido, as descendentes de Eva ficariam avivando recordações. Quis Ele, Sumo Factor, fundir-lhe o espírito brilhante e suave de um raio de oiro do sol, e de um raio prateado da lua. Deu-lhe a pureza da cecem, a alvura do lírio, o pudor e a graça da rosa, a modéstia da violeta; acendeu-lhe no olhar brilho de estrelas: descenou-lhe auroras de carmim e pérolas no sorrir; para fala, concentrou todas as melodias balbuciadas no frémito das vibrações, no murmurinho das fontes, e nos cânticos das aves; modelou-lhe a estatura pela dos arbustos mais esbeltos e mimosos; arredondou-lhe as formas, que lembrassem os frutos mais gentis e apetecidos, difundiu-lhe os cabelos como os ramos pendentes e movediços do salgueiro aquático, impregnou-lhos de electricidade; embebeu-os de um aroma que fala; revestiu-os de um brilhantismo; tão esmerado e pródigo os doutou, que o oiro, as pedrarias, os perfumes, as sedas e as flores ambicionando realça-las recebessem deles novo preço.

Antonio Feliciano de Castilho

(Séc. XVIII)

     


 

emgestaocorrente às 19:58

Agosto 04 2008

  

   Entre as visitas diárias obrigatórias, um destaque muito especial para "Corte na aldeia", donde rapinei este post.

  

  

   Cada fruta tem o seu segredo

 

 


A maneira correcta de comer um figo à mesa
É parti-Io em quatro, pegando no pedúnculo,
E abri-Io para dele fazer uma flor de mel, brilhante, rósea, húmida,
desabrochada em quatro espessas pétalas.

Depois põe-se de lado a casca
Que é como um cálice quadrissépalo,
E colhe-se a flor com os lábios.
Mas a maneira vulgar
É pôr a boca na fenda, e de um sorvo só aspirar toda a carne.

Cada fruta tem o seu segredo.
O figo é uma fruta muito secreta.
Quando se vê como desponta direito, sente-se logo que é simbólico:
Parece masculino.
Mas quando se conhece melhor, pensa-se como os romanos que é
uma fruta feminina.

Os italianos apelidam de figo os órgãos sexuais da fêmea:
A fenda, o yoni,
Magnífica via húmida que conduz ao centro.
Enredada,
Inflectida,
Florescendo toda para dentro com suas fibras matriciais;
Com um orifício apenas.

D.H.Lawrence
(tr. Herberto Helder)

 


 

emgestaocorrente às 15:11

Julho 31 2008

      Não é a 1ª vez, nem será a última: mais um post rapinado ao "Corte na aldeia"

Com palavra santo e senha

 




















 

Naquele trilho secreto,
Com palavra santo e senha.
Eu fui língua e tu dialecto.
Eu fui lume, tu foste lenha.
Fomos guerras e alianças,
Tratados de paz e passangas.
Fomos sardas, pele e tranças,
Popeline, seda e ganga.
Dessa vez tu não cumpriste,
E faltaste ao prometido.
Eu fiquei sentido e triste.
Olha que isso não se faz.
Disseste se eu fosse audaz,
Tu tiravas o vestido,
E o prometido é devido.
Rompi eu as minhas calças.
Esfolei mãos e joelhos.
E tu reduziste o acordo,
A um montão de cacos velhos.
Eu que vinha de tão longe,
Do outro lado da rua.
Fazia o que tu quizesses,
Só para te poder ver nua.
Quero já os almanaques.
Do Fantasma e do Patinhas,
Os Falcões e os Mandrakes.
Tão cedo não terás novas minhas.
Dessa vez tu não cumpriste,
E faltaste ao prometido.
Eu fiquei sentido e triste.
Olha que isso não se faz.
Disseste se eu fosse audaz,
Tu tiravas o vestido,
E o prometido é devido.

carlos tê

          


 

emgestaocorrente às 10:08

Julho 27 2008

   

   Ao contrário do que se pensa, o tempo caminha, mesmo no Alentejo!

   E eu que o diga; ainda "ontem" cheguei para 2 semanas de férias e já passou uma!

   Rapinado do "Corte na aldeia", este poema de Miguel Torga:

  

Onde o tempo caminha

 





Alentejo 
 


A luz que te ilumina,
Terra da cor dos olhos de quem olha!
A paz que se adivinha
Na tua solidão
Que nenhuma mesquinha
Condição
Pode compreender e povoar!
O mistério da tua imensidão
Onde o tempo caminha
Sem chegar!...

 

Miguel Torga

           


 

emgestaocorrente às 23:48

Julho 15 2008

   Via "Corte na Aldeia", um poema de Eugénio de Andrade

Sabor a barcos e bruma

 




Procura a maravilha.

Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.

Procura a maravilha.



Eugénio de Andrade

 

 


 

emgestaocorrente às 20:45

Julho 13 2008

   E que melhor maneira de regressar do que com um poema de Vinicius de Moraes?  (Via "Corte na Aldeia" )

Deve andar perto uma mulher

 






















 

 

 

 

 


 

São demais os perigos desta vida pra quem tem paixão
Principalmente quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma musica qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher
Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer de tão perfeita
Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua
 

Vinicius de Moraes


 

emgestaocorrente às 10:35

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