Em gestão corrente ...como o País...

Outubro 06 2009

A gestão pelo terror

 

 


 Louis Pierre Wenes, após o suicídio de 24 colaboradores da empresa, em dezoito meses, é uma tentiva de ocultar a natureza das coisas. Os sindicatos acusam Wenes de ter introduzido a gestão pelo terror. O problema, porém, não reside em Wenes, mas na própria natureza da economia mundial. Ela é pensada em analogia com a lei da natureza, onde só sobrevive o mais forte. Este acontecimento revela também outra coisa. Os trabalhadores europeus estiveram, durante décadas, resguardados daquilo que acontecia noutros lados. Com a abertura das fronteiras, com a expansão do comércio mundial, com a concorrência levada ao extremo, os europeus não percebem o que lhes está a acontecer. Não apenas irão ficar cada vez mais pobres, mesmo que as economias nacionais fiquem mais ricas, como os regimes de trabalho serão cada vez mais duros e prolongados. O tempo das amplas classes médias europeias chegou ao fim. Sem o contraponto dos regimes comunistas e o medo que estes geravam, a essência da economia de mercado revela-se em toda a sua natureza. Dentro desta natureza está a consideração de que os homens não são mais do que mão-de-obra, isto é, mercadoria que se compra, vende e joga no lixo, quando não é precisa.

 

 

 

emgestaocorrente às 11:50

Julho 14 2009

Um texto de Jorge Carreira Maia no

www.averomundo-jcm.blogspot.com

 

 

Trabalhos de feitiçaria

 

 

 Por causa deste senhor e da senhora que superintende a educação chegou ao que chegou. Um dos aspectos mais graves é a contínua politização, entendida aqui como luta político-partidária, dos resultados dos exames nacionais. Aquilo que deveria ser motivo de reflexão serena e um indicador socialmente útil transformou-se, devido a certas feitiçarias dos nossos feiticeiros-mores, num espaço estéril de polémica e numa telenovela ao nível daquelas que a Justiça proporciona para gáudio da comunicação social e de nós, pobres indígenas, que não temos nada com que nos entreter. Ontem saíram os resultados dos exames do 9.º ano e logo a maga chefe veio anunciar que o país se deveria congratular com tais resultados, talvez organizar umas festas dos santos populares tão ao gosto das comunidades educativas, digo eu. Já a Associação de Professores de Português exige que o Ministério da Educação, isto é, a Confraria Nacional de Mágicos e Feiticeiros, explique a queda dos resultados, os quais apesar de caírem ainda merecem que o país se congratule com eles, segundo a Maga-Chefe. Portanto, os professores de português que se preparem. Se o PS ganhar as eleições com maioria absoluta lá vão apanhar com mais um daqueles extraordinários planos de salvação, como o que impera na Matemática. A educação tornou-se o refúgio dos amantes do plano. Todos os que adoravam os planos quinquenais soviéticos ou os planos de fomento do Estado Novo Salazarista encontraram um ninho e um nicho para aplicarem as suas inovadoras ideias sobre planeamento e planificação, em última análise ideias que conduzem à terraplanagem do saber e ao achatamento e à rasura do que deveria ser elevado.

 


 


Maio 10 2009

   Do indispensável "A ver o mundo", um post de Jorge Carreira Maia. A não perder!

O país do medo

 


   Manuela Ferreira Leite disse, no almoço comemorativo dos 35 anos do PSD, que hoje se vive de novo um clima de medo em Portugal.
   Medo de perder o emprego, medo de perder o negócio. Será pena que os portugueses julguem que esta denúncia de inscreve apenas no quadro da luta partidária. Não inscreve.
   O que a líder do PSD diz começa a ser o retrato de um país sufocado e subjugado pelo poder.
   Se olharmos para as escolas, por exemplo, descobrimos que, assim que o novo modelo de gestão estiver em vigor, não haverá professor que faça uma crítica ao director escolhido, à gestão da escola, aos modelos pedagógicos em vigor, à qualidade científica do que se faz.
   As escolas, mas estas são apenas um exemplo do que se passa nos resto das instituições, vão ser o lugar de um corpo docente domesticado, medroso, de joelho dobrado pelos novos poderes instituídos. Mais, em breve, todos esses poderes estarão controlados pelas câmaras municipais.
   A liberdade de ensino está moribunda em Portugal.
   O Partido Socialista não teve o mínimo pejo de fazer isto na educação. Nem um estremecimento perpassou naquelas consciências.
   Quando o corpo docente deixa de ser constituído por homens e mulheres livres, como poderão os professores formar, modelar com o seu exemplo, os futuros homens e mulheres livres? E se as novas gerações não são formados no exemplo da liberdade, que país e sociedade livre e responsável se espera para o futuro?
   Mas as escolas são apenas um exemplo, repito.
   É provável até que a Dr.ª Manuela Ferreira Leite nem perceba a profundidade do mal que se está a instalar no país.
 

 

emgestaocorrente às 16:05

Janeiro 15 2009

    

   Agnóstico e livre pensador, não entendo como declarações sensatas (e óbvias!) como as do Cardeal D. Policarpo estão a causar tanto escândalo nas gentes "bem pensantes" com a habitual amplificação e colaboração dos meios de comunicação social.

   Por pensar exactamente como Jorge Carreira Maia, aqui se rapina um seu post do seu "A ver o mundo", escrito com o seu habitual brilhantismo.

A matéria e a forma

 


 

   Vai por aí um grande banzé com as declarações do cardeal Policarpo sobre os casamentos entre mulheres cristãs e homens muçulmanos. O cardeal de Lisboa teve a infeliz ideia de sugerir às jovens o uso da razão. Pensem duas vezes, terá dito. Num mundo em que pensar uma vez é já um exercício execrável, talvez o cardeal Policarpo se tenha excedido. Como podem as jovens portuguesas pensar duas vezes? Talvez seja uma manifesta impossibilidade. Mas pior que o irrealismo cardinalício sobre as capacidades das jovens (e já agora dos jovens) portugueses para pensar, é o coro de virgens que se faz ouvir a propósito destas declarações. Parece que é uma pouca vergonha aquilo que D. José Policarpo fez, sintoma de um comportamento impróprio do século XXI, um atentado contra o espírito ecuménico e o diálogo inter-religioso, um desconhecimento dos imperativos multiculturais, talvez mesmo um exemplo de racismo e xenofobia. Pobre cardeal. É evidente que aquilo que ele disse não interessa para nada. E se uma jovem portuguesa se meter num monte de sarilhos é um problema de somenos. Também, para toda esta gente que adora a forma correcta, a situação da mulher em muitas sociedades islâmicas é irrelevante, bem como a cultura, que em muitas dessas sociedades é permitida, e que faz da mulher um ser abaixo e submetido ao marido, é matéria que não interessa discutir. Para mim, neste mar de indignação contra as palavras do cardeal-patriarca ecoa uma nostalgia. A nostalgia dos tempos em que os homens cristãos podiam fazer às suas mulheres cristãs aquilo que os muçulmanos ainda vão podendo fazer. A igualdade da mulher deixa muitos homens, de aspecto viril, com a barriga das pernas a tremer.

 

 

 


Dezembro 04 2008

  

   Jorge Carreira Maia em "A Ver o Mundo" publicou este excelente post:

Qual a causa que move o governo?

 

 

Mais um dia de conflito entre professores e governo. Muitos de nós, onde me incluo, decidiram abdicar de um dia de salário para protestar contra a política educativa de Sócrates e de Lurdes Rodrigues. E, no entanto, todos nós já percebemos qual é a política educativa deste governo: chegar às eleições e dizer que já há avaliação de professores, como se antes deles não houvesse. Se o processo de avaliação antes da manifestação de Novembro era perverso e diabolicamente burocrático, os remendos tornaram-no em qualquer coisa de irrisório, numa desconsideração pela racionalidade dos professores. A única coisa que move Sócrates são os votos, o poder apresentar qualquer coisa ao eleitorado, nem que seja mais uma farsa na escola pública. É isto o que move o governo. Mas isto é também a confissão não apenas da irresponsabilidade dos governantes, como da falência de uma maioria absoluta, a qual para pouco ou nada serviu. É o que dá entregar a governação do país a gente como esta. E eu, infelizmente, também votei neles.

 

 

                 


 


Outubro 15 2008

Assustam-se as belas e pobres escravas

 

 

William McGregor Paxton – Nausicaa - 1937


Assustam-se as belas e pobres escravas
envoltas no corpo, a natureza lho deu,
ao verem a terrível luz de Ulisses,
náufrago entre náufragos,
a emudecer a sombra que do mar vinha.

Entre tanta mulher de corpo resfriado pela água,
aquecido pelo sol do mediterrâneo,
apenas uma enfrenta o desconhecido
e a sua mão lhe entrega para o levar
à cidade, para que o cuidem e lhe tragam
o conforto que os dias passados roubaram.

Nausícaa, filha real, reconheceu no estrangeiro
não o escravo a que tudo teme,
mas um igual, apenas maltratado pelas águas
e pelo destino adverso que tudo pode.
No segredo do seu coração, já o filho de Ulisses
encontrara o conforto para a sua solidão.

 

 

 

emgestaocorrente às 19:22

Setembro 24 2008

Teoria da Educação

domingo, 27 de abril de 2008

John Wilmot, Segundo Conde de Rochester (Ditchley, 1 de abril de 1647 — 26 de julho de 1680), foi um libertino inglês, amigo do rei Carlos II e escritor de muita poesia satírica e obscena.

http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Wilmot

Acho que muuuuuuuuuita teoria de como educar os filhos vai por água abaixo assim que eles aparecem.

“Antes de casar eu tinha três teorias sobre educar crianças. Agora tenho três crianças e nenhuma teoria.” John Wilmot.


 

emgestaocorrente às 22:15

Julho 15 2008

   Via "A Ver o Mundo", blogue de frequência diária, este poema de Jorge Carreira Maia

A viagem tem

 

A viagem tem
um sabor de cal
quando vou por ti,
na rua, deslumbrado.

Oiço então os pássaros
que o Inverno traz
e no seio da terra
logo se escondem.

Vejo-os vivos, pálidos,
infelizes mármores
que da pedra foram
por tuas mãos libertos.

Cantam livres do
coração que assim,
com tão doces modos,
em mim os prendeu.

 

Jorge Carreira Maia,

Pentassílabos, 2008

    


 

emgestaocorrente às 20:53

Março 03 2008

   

   Do blogue A ver o mundo, rapinei este post que mostra como há gente para tudo e disposta a ser " a voz do dono". Exemplar! Tais pais, tais filhos!

   E já agora: lembram-se da guerra dos "ecologistas" aos eucaliptos? E já pensaram porque é que havendo cada vez mais eucaliptos em Portugal as Quercus todas que para aí andam se calaram e, de um momento para o outro, o problema deixou de existir?

   E lembram-se do tempo em que, meses a fio, os telejornais abriam com as imagens dos novos "mártires" da ecologia a amarrarem-se às máquinas de plantação dos eucaliptos, um pouco por todas as serras do país?

   Pois dêem-se ao trabalho de ver que tachos é que esses meninos hoje ocupam, que assessorias e sinecuras lhes pagam, a peso de ouro, os seus doutos estudos e conselhos e tentem descobrir que subsídios (e atribuídos por quem) recebem essas organizações "ecologistas".

   Dou-vos uma pista: comecem a vossa investigação pelas contas das fábricas de celulose...  

Segunda-feira, 3 de Março de 2008

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post -title>CONFAP e a sociedade civil

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Para que serve a sociedade civil em Portugal? A resposta será sempre embaraçosa. Tomemos o exemplo da CONFAP (confederação de associação de pais) dirigida pelo sr . Albino Almeida. À partida dir-se-ia um bom exemplo de iniciativa da sociedade civil. Mas se olharmos para o seu orçamento descobrimos como tudo está inquinado. No ano de 2006, recebeu do Ministério da Educação mais de 150 mil euros e das quotizações dos seus associados, pasme-se, 1302 euros (cf. aqui). Não admira que apareça ao lado da ministra no conflito que opõe governo/professores. A CONFAP é apenas mais um exemplo, ainda por cima lamentável, da fragilidade e da artificialidade da “sociedade civil” portuguesa.

 

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post -footer-line post -footer-line-1">post -author>Postado por JCM post -timestamp>em 17:39

   



Fevereiro 09 2008

Há uns tempos atrás, ainda no reinado de Santana Lopes, se não estou em erro, o Dr. Mário Soares disse que, caso não estivéssemos na União Europeia, já teria ocorrido um golpe militar. O dito não foi levado a sério por ninguém. No entanto, aquelas palavras deveriam ter alertado os espíritos para a crescente degradação da situação política do país. Quem frequenta a blogosfera, por exemplo, percebe que há, entre os blogues mais consultados – blogues que formam a opinião da gente da classe média entre os vinte e os quarenta anos –, muitos que fazem uma clara apologia do fim deste regime. Há uma cultura que cresce e que se instala, cultura essa que roça, muitas vezes, a apologia do autoritarismo político.

Digno de nota foi o artigo, publicado no passado sábado no Expresso, pelo general Garcia Leandro, o militar que dirige o Observatório de Segurança. O título é elucidativo: "A falta de vergonha". A que se refere o general? Ao "modo como se tem desenvolvido a vida das grandes empresas, nomeadamente da banca e dos seguros, envolvendo BCP e Banco de Portugal, incluindo remunerações dos seus administradores e respectivas mordomias, transformou-se num escândalo nacional, criando a repulsa generalizada." Refere também "a promiscuidade entre o poder político e o económico", a "falta de confiança que existe nos responsáveis políticos deste regime (sic)".

Mas o general diz mais. Não resisto a continuar as citações: "Se sinto a revolta crescente daqueles que comigo contactam, eu próprio começo a sentir que a minha capacidade de resistência psicológica a tanta desvergonha, (…), vai enfraquecendo todos os dias (sic)." E logo a seguir o general acrescenta: "Já fui convidado para encabeçar um movimento de indignação contra este estado de coisas e tenho resistido (sic)." E diz mais: "Mas a explosão social está a chegar. Vão ocorrer (sic) movimentos de cidadãos que já não podem aguentar mais o que se passa." E escreve, como uma espécie de paliativo: "É óbvio que não será pela acção militar que tal acontecerá, não só porque não resolveria o problema mas também porque o enquadramento da UE não o aceitaria; não haverá mais cardeais e generais para resolver este tipo de questões."

Parece que o Dr. Soares tinha razão. Tirando o enquadramento da UE, todas as outras condições para um golpe parecem reunidas: corrupção, políticos sem crédito, classes médias desfeitas, empobrecimento da população, insegurança e medo a crescer. A pergunta é então a seguinte: quanto vale a democracia portuguesa sem a Europa? Zero. Foi a isto que o bloco central conduziu o país. Uma crise que leve ao fim da União e a democracia portuguesa não dura dois dias. Como interpretar as palavras do general que dirige o Observatório de Segurança? Um grito de revolta? Não sejamos ingénuos. Foram um aviso. E quem te avisa teu amigo é.

        

   Nas últimas semanas tenho-me limitado a postar poesia pintura e música neste blogue.

   A siuação poliica, social e económica está de tal modo degradada que é penoso pensá-la e escrever sobre ela.

   

   Este post, do Prof. Jorge Carreira Maia, publicado no "Jornal Torrejano" desta semana aponta ao cerne da questão.

   Rapina-se, com a devida vénia.

  


A VER O MUNDO     http://averomundo-jcm.blogspot.com


 

As palavras do general


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