Em gestão corrente ...como o País...

Julho 23 2009

Do blogue
www.euelaeaescrita.blogspo
t.com
da minha amiga Graça Martins,retirei este poema de Isabel de Sá, que retrata muito da minha geraçao dos anos 60!





SERÁ NO PRÓXIMO SÉCULO?

O nosso amor arrasou cidades. Éramos
muito jovens e pensávamos assim.
O mundo pertencia-nos. Ninguém
percebia mas nós vivíamos contra
tudo - era um acto político.

Assim alguns seres no mundo
construíram vidas, amaram
e sofreram isolados, por vezes
espoliados, queimados na fogueira.

Mas o nosso amor resistirá
às fronteiras, aos muros de fogo
e à injustiça. Gostaríamos de viver
o tempo da verdadeira transformação,
da felicidade universal. 
   


 

emgestaocorrente às 19:28

Julho 23 2009

   

Matilde, nome de planta ou pedra ou vinho,
de tudo o que nasce da terra e dura,
palavra em cujo crescimento amanhece,
em cujo estio estala a luz dos limões.

Nesse nome correm navios de madeira
rodeados por enxames de fogo azul-marinho,
e essas letras são a água de um rio
que desagua no meu coração calcinado.

Ó nome descoberto sob uma trepadeira
como a porta dum túnel desconhecido
que comunica com a fragrância do mundo!

Oh, invade-me com a tua boca abrasadora,
pesquisa-me, se quiseres, com os teus olhos nocturnos,
mas no teu nome deixa que eu navegue e durma.

 


 

emgestaocorrente às 18:54

Julho 23 2009

                 

se não me queres no vento agreste
paro de te soprar no coração. pousa
o pássaro, pousa a tinta, posam as
folhas a tua mão.

vê-me no campo, entre os seres criados
para comer os raios do sol.



Valter Hugo Mãe, in
"Anos 90 e agora", selecção e organização de Jorge Reis-Sá,
Ed. Quasi, Vila Nova de Famalicão, 2001

 

 


 

emgestaocorrente às 18:44

Junho 08 2009

Sei
ao chegar a casa
qual de nós
voltou primeiro do empego

Tu
se o ar é fresco

eu
se deixo de respirar
subitamente


António Reis

 


 

emgestaocorrente às 12:46

Junho 03 2009
Pequeninura do morto e do vivo

    O morto
    abre a terra: encontra um ventre

    O vivo
    abre a terra: descobre um seio


Mia Couto, in
"Frente e verso - poesia", Ed. Caminho, 2009

 


 

emgestaocorrente às 15:33

Junho 03 2009
53

 

emgestaocorrente às 15:28

Maio 17 2009

QUANDO FOI QUE DEMOREI OS OLHOS

SOBRE OS SEIOS NASCENDO DEBAIXO DAS BLUSAS

DAS RAPARIGAS QUE VINHAM À TARDE, BRINCAR COMIGO?...

   

(Manuel da Fonseca)

emgestaocorrente às 12:07

Maio 17 2009

E NUNCA O CANSAÇO É TÃO GRANDE

QUE UM PASSO MAIS SE NÃO POSSA DAR

 

(Joaquim Namorado)

emgestaocorrente às 12:03

Maio 11 2009

    Há dias recebi este mail que passo a divulgar para o caso de algum dos leitores estar interessado.

 

 

 

  

Caro (a) amigo (a),
Somos o jornal Portal Lisboa, um jornal de base on-line, que actualmente tem funcionado como jornal gratuito, dedicado exclusivamente à cidade de Lisboa, com uma tiragem mensal de 20 000 exemplares. Pode consultar o nosso último exemplar impresso no endereço www.portallisboa.net/eJornal
Temos acompanhado o seu blog, pelo que gostariamos de lhe dar os parabéns pelo serviço cultural que tem prestado à poesia e à literatura. Neste sentido, gostariamos de o informar da nova iniciativa do nosso jornal (www.portallisboa.net). 
Depois do sucesso que foi a Primeira Colectânea de Poesia Contemporânea do Portal Lisboa e da Chiado Editora (www.chiadoeditora.com), com o nome “Entre o Sono e o Sonho”, vamos agora arrancar com o II. Volume da mesma colectânea, pelo que gostariamos de o convidar a noticiar este evento no seu blog. Neste momento, estamos à procura de novos autores para entrarem neste livro, pelo que o convidamos a visitar o regulamento (Link Regulamento) desta colectânea no nosso site. As inscrições podem ser feitas aqui (Link Inscrição).
Caso divulgue a nossa iniciativa, agradeciamos que nos enviasse o link do post onde o faz, para colocarmos o seu blog em destaque no nosso portal on-line.
Sem mais nenhum assunto de momento,
Agradecemos a sua atenção e voltamos a dar-lhe os parabéns pelo seu blog.
(esta é a capa de "Entre o Sono e o Sonho")

 

 

 
 João Gomes de Almeida
  Director
  Av. Rui Nogueira Simões, nº 2 A
  1600 - 868 Lisboa
  tlm: 936887948


 

emgestaocorrente às 21:55

Maio 10 2009

QUE A VIDA FOSSE A MESMA FESTA SEMPRE

E OS OLHOS ENCONTRASSEM TEU SORRISO

 

Pedro Barroso

   


 

emgestaocorrente às 22:29

Maio 09 2009
No Reino do Pacheco
Às duas por três nascemos,
às duas por três morremos.
E a vida? Não a vivemos.

Querer viver (deixai-nos rir!)
seria muito exigir...
Vida mental? Com certeza!
Vida por trás da testa
será tudo o que nos resta?
Uma ideia é uma ideia
- e até parece nossa! -
mas quem viu uma andorinha
a puxar uma carroça?

Se à ideia não se der
o braço que ela pedir,
a ideia, por melhor
que ela seja ou queira ser,
não será mais que bolor,
pão abstracto ou melhor
sem amor!

Às duas por três nascemos,
às duas por três morremos.
E a vida? Não a vivemos.

Neste Reino de Pacheco
- do que era todo testa,
do que já nada dizia,
e só sorria, sorria,
do que nunca disse nada
a não ser prá galeria,
que também não o ouvia,
do que, por detrás da testa,
tinhaa testa luzidia,
neste Reino de Pacheco,
ó meus senhores que nos resta
senão ir aos maus costumes,
às redundâncias, bem-pensâncias,
com alfinetes e lumes,
fazer rebentar a besta,
pô-la de pernas pró ar?

Por isso, aqui, acolá
tudo pode acontecer,
que as ideias saem fora
da testa de cada qual,
para que a vida não seja
só mentira, só mental...



Alexandre O'Neill, in
"Poemas com endereço" 1962
 

 

emgestaocorrente às 18:38

Abril 24 2009

Para o meu coração...


Para o meu coração basta o teu peito,
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a sua alma.

És em ti a ilusão de cada dia.
Como o orvalho tu chegas às corolas.
Minas o horizonte com a tua ausência.
Eternamente em fuga como a onda.

Eu disse que no vento ias cantando
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles tu és alta e taciturna.
E ficas logo triste, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Eu acordei e à vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam na tua alma.


Pablo Neruda, in
"Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada", Publ. D. Quixote, 1977
Tradução de Fernando Assis Pacheco

 

    


 

emgestaocorrente às 16:04

Fevereiro 13 2009

   

Folhas novas

  

   Fins de fevereiro. Saí para te esperar. Vi folhas novas num arbusto da alameda - isso mesmo, aquele que dá os copos, que à note cheiram alto - e senti-me rejuvenescido. Voltei para casa e até me esqueci de ver o correio.

  

Ruy Belo, in

"Obra Poética de Ruy Belo" - "Homem de palavras", Ed. Presença, Lisboa 1997.

  


 

emgestaocorrente às 11:23

Fevereiro 08 2009

   

Canção

  

   Tu eras neve.

   Branca neve acariciada.

   Lágrima e jasmim

   no limiar da madrugada.

   

   Tu eras água.

   Água do mar se te beijava.

   Alta torre, alma, navio,

   adeus que não começa nem acaba.

   

   Eras o fruto

   nos meus dedos a tremer.

   Podíamos cantar

   ou voar, podíamos morrer.

    

   Mas do nome

   que maio decorou,

   nem a cor

   nem o gosto me ficou.

    

Eugénio de Andrade, in

"Até amanhã"

     


 

emgestaocorrente às 12:41

Fevereiro 05 2009

  

Na margem de um rio

 

    

   São assim os amigos, frágeis, como dunas.

   Altas labaredas os consomem

   e dizem nomes, recados de amor.

    

   Nada os habita quando damos as mãos,

   os rostos recortados no frio azul

   para reparar o que nos une e o que nos afasta.

    

   São assim os amigos, vêm

   com uma ferida móvel entre os dedos

   juto de mim. Perdidos eu os encontro,

   aos amigos,ao que por ser frágil perdura

   como uma claridade um nome branco.

   

Francisco José Viegas, in

"Metade da VIda", Ed. Quasi, Lisboa, 2002.

    


 

emgestaocorrente às 16:19

Fevereiro 04 2009

        

A meu favor

   

   A meu favor

   Tenho o verde secreto dos teus olhos

   Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor

   O tapete que vai partir para o infinito

   Esta noite ou uma noite qualquer

  

   A meu favor

   As paredes que insultam devagar

   Certo refúgio acima do murmúrio

   Que da vida corrente teime em vir

   O barco escondido pela folhagem

   O jardim onde a aventura recomeça.

    

Alexandre O'Neill, in

"Poemas de Amor", org. Inês Pedrosa,

Publ. D. Quixote, Lisboa, 2003.

   


 

emgestaocorrente às 16:06

Janeiro 27 2009

    

Joelho

  

 

   Ponho um beijo

   demorado

   no topo do teu joelho

  

   Desço-te a perna

   arrastando

   a saliva pelo meio

   

   Onde a língua

   segue o trilho

   até onde vai o beijo

     

   Não há nada

   que disfarce

   de ti aquilo que vejo

  

   Em torno um mar

   tão revoto

   no cume o cimo do tempo

  

   E os lençóis desalinhados

   como se fosse

   de vento

   

   Volto então ao teu

   joelho

   entreabrindo as pernas

 

   Deixando a boca

   faminta

   seguir o desejo nelas

  

  

Maria Teresa Horta, in

"Só de amor"

  


 

emgestaocorrente às 21:06

Janeiro 26 2009

    

Dá a surpresa de ser

  

   

Dá a surpresa de ser.

É alta, de um louro escuro.

Faz bem só pensar em ver

Seu corpo meio maduro.

   

Seus seios altos parecem

(Se ela estivesse deitada)

Dois montinhos que amanhecem

Sem ter que haver madrugada.

  

E a mão do seu braço branco

Assenta em palmo espalhado

Sobre a saliência do flanco

Do seu relevo tapado.

   

Apetece como um barco.

Tem qualquer coisa de gomo.

Meu Deus, quando é que eu embarco?

Ó fome, quando é que eu como?

  

  

Fernando Pessoa, in

"366 poemas que falam de amor", org. de Vasco Graça Moura,

Quetzal Ed., Lisboa, 2003.

     


  

emgestaocorrente às 19:58

Janeiro 18 2009

    

O seu nome é gracioso

e muito próprio dela

    

    

   O seu nome é gracioso e muito próprio dela:

   Respira um vago tom de música inocente;

   E lembra a placidez de um lago transparente,

   Recorda a emanação tranquila duma estrela.

 

   Lembra um título bom, que logo nos revela

   A ideia do poema. E todo o mundo sente

   Não sei que afinidade entre o seu ar dolente,

   A sua moridezza, e o nome próprio dela.

    

   E chego a acreditar - ingenuamente o digo -

   Que havia um nome em branco, e Deus pensa consigo

   Em traduzi-lo enfim numa expressão qualquer:

    

   De forma que a mulher suave e graciosa

   Faz parte deste nome um tanto cor-de-rosa,

   E este nome gentil faz parte da mulher.

     

      

Guilherme de Azevedo, in

"366 poemas que falam de amor", org. de Vasco Graça Moura

Quetzal Ed., Lisboa 2004

     


 


Dezembro 27 2008

   

Algumas imagens do inverno

   

    

Chega mais cedo;

conheço-lhe os passos:

já muita vez aqueceu as mãos

ao lume da minhas.

Vai demorar-se;

sacudir a lama, remendar

os sapatos, tirar o sal

que se juntou em redor dos lábios.

Entre o silêncio e o falar

não há senão

espaço para anoitecer.

Tão pesadas, as folhas do ar.

  

Eugénio de Andrade, in

"Ofício de paciência", 1994

    


 

emgestaocorrente às 21:44

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