Em gestão corrente ...como o País...

Outubro 17 2007

 

   Adriano Correia de Oliveira deixou-nos há 25 anos, quando contava apenas 40 anos de idade.

   Mais velho que eu 5 anos, lembro-me de, ainda estudante do então Liceu D. João III (agora Es . Sec . José Falcão), o ir ouvir aos convívios da AAC, primeiro no Palácio dos Grilos, mais tarde na Praça da República,  quando a Associação Académica não estava ocupada pela policia de choque ou seus esbirros.

   Descido de Avintes até Coimbra para estudar Direito (que nunca completaria), este bom gigante, com um coração ainda maior que a sua estatura, cedo se apaixonou pelo fado de Coimbra que sabiamente miscenizou com o folclore das Beiras e dos Açores, criou (antes ainda de Zeca Afonso) a nova canção de Coimbra e, juntamente com aquele, criou a canção de intervenção, bandeira da geração portuguesa dos anos sessenta.

   Foi o primeiro a musicar e a cantar Manuel Alegre, nome proibido após se exilar para a Argélia; foi também o primeiro a cantar António Gedeão, até então um quase desconhecido professor liceal e divulgador cientifico.

   Sempre solidário e disponível, com uma ternura à flor da pele, enfileirou (como uma boa parte da nossa geração) com o PCP, nunca o abandonando mesmo quando aquele partido o maltratou, sem escrupulos nem reconhecimento.

   Afogou-se nas amarguras da vida e na não correspondência entre a sua generosidade e a vida real.

   A canção que hoje publicamos, Trova Do Vento Que Passa, tem letra de Manuel Alegre e serviu de hino à minha geração e às posteriores, até ao advento do 25 de Abril.

   Para quem viveu com a canga do salazarismo e a sua opressão fascista, esta é uma das canções da sua vida.

   Que viva Adriano!

  


 

emgestaocorrente às 22:18

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