Em gestão corrente ...como o País...

Maio 23 2007

              

      Jorge Carreira Maia, professor do ensino secundário em Torres Novas, tem vindo a publicar no seu blogue (www.averomundo-jcm.blogspot.com) alguns poemas sobre o tempo e a sua passagem, tendo como pano de fundo Cardilium (villa romana) na periferia da cidade.

      Poesia densa, com um toque nostálgico de classicismo, acentuado pelo tema - os efeitos do passar do tempo, mas com uma linguagem moderna e actual a merecer uma leitura atenta e demorada.

      Pela sua qualidade, transcrevemos o último poema da série, com a devida vénia.

             

Cardílio XXIV

Nestas pedras tão rasas, o meu corpo
A tua carne deseja e, na brancura
De teus dedos, o rosto se suspende
Do voo mudo dos séculos. Efémero

Tijolo sob as ancas te sustenta,
Te rouba à gravidade e te suspende,
Na passagem de minhas mãos em alva
Face já pelo Outono cariada.

Na cicatriz dos gestos, na passagem
Oculta dessas mãos, abre-se o mundo
À névoa branca e fétida das pétalas

Em decomposição. Caminharemos
Pelas ruínas dos dias e abraçados
Deixaremos os campos, rios e as águas.

    

 

 


emgestaocorrente às 20:48

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