Em gestão corrente ...como o País...

Abril 11 2007

           

                

INCOGNITO

          

               

      Um pouco ao acaso, descobri um blogue interessante, dedicado à música e aos video-clipes , da autoria de João Lopes e Nuno Galopim .

      Nesse blogue, chamado Sound Vision " (www.sound--vision.blogspot.com), encontrava-se uma misteriosa fotografia que os autores, apesar de experimentados críticos e jornalistas, denominaram como "incógnito".

      Estou em condições de esclarecer o significado da fotografia.

      Trata-se de um simpático casal de licenciados em cursos que realmente existem (à antiga) em Universidades reais e credíveis (daquelas que não dão licenciaturas aos domingos) e que, num impulso juvenil e de fervor patriótico resolveu contribuir para esbater as assimetrias regionais e combater a desertificação do interior, estabelecendo a sua vida profissional num daqueles concelhos do interior centro, na zona do pinhal, por onde os políticos , às vezes e com enfado, passam, a alta velocidade, durante as campanhas eleitorais.

      Durante anos ouviram os vizinhos e conhecidos queixarem-se da falta de assistência médica e da necessidade de irem, ainda no inicio da madrugada, para a porta do posto médico apanhar vaga para a consulta do dia seguinte, se o médico aparecer.

      Ouviam mas não ligavam muito; afinal eram novos e o asunto, para já, não lhes dizia respeito.

      Mas os anos passaram, a meia idade está a chegar, e naquela noite ele sentiu-se mal.

      Ela tirou o carro da garagem e levou-o ao Centro de Saúde (chama-se assim porque quando as pessoas estão doentes ou está fechado ou não há médico); ao chegar viu um cartaz que anunciava o encerramento do SAP (Serviço de Atendimento Permanente) por ordem ministerial.

      Resolveu, então, dirigir-se ao Centro de Saúde do concelho mais próximo; também estava fechado e ostentava o mesmo cartaz e uma fotocópia da entrevista do Presidente da Administração Regional de Saúde  ao jornal local em que explicava que aquele encerramento constituía a melhor maneira de defender a saúde dos moradores (assim, sem SAP, sentiam-se na obrigação de se manterem saudáveis durante mais tempo).

      Decidiu continuar viagem até outro concelho; obteve o mesmo resultado.

      Acabou por se dirigir à sede do distrito, onde havia um enorme hospital com o nome de um santo. Efectuou a inscrição, foi triado e obteve um cartão amarelo. Dirigiu-se à sala de espera onde se encontrava uma multidão de gente das mais variadas idades e raças com cartões igualmente coloridos. Soube que espera nunca seria inferior a 6-8 horas.

      Ao fim de 2 horas sentiu-se muito pior; só o ambiente da sala o agoniava de uma maneira insuportável; decidiu voltar para casa e, no caminho, colocar uma vela na Capelinha das Aparições.

      E foi precisamente ao chegar a Fátima que se deu o milagre! Logo na rotunda da entrada surgiu-lhe uma aparição, sob a forma da unha do dedo indicador do ministro Tareia de Campos (que é perfeitamente visível na fotografia, na parte esquerda do vidro do carro) que lhe indicava o caminho de Espanha!

      Seguiu a visão e rumou à fronteira!

     Mal chegou ao primeiro Ayuntamento dirigiu-se ao Centro de Salud, foi consultado e medicado.

      Voltou para Portugal.

      No posto da Cepsa junto da fronteira encheu o depósio de gasolina (pouando 3 mil escudos dos antigos), comprou 2 botijas de gás (a metade do preço), comprou lenços da Renova muito mais baratos, tomou 1 bica (os espanhóis finalmente já sabem tirar bicas).

      Foi esta a verdadeira história do milagre a que se refere a fotografia a que os autores do blogue chamaram incógnito, por evidente e imperdoável desconhecimento do caso.

       Segundo fui informado pelo Presidente da Câmara local (que assinou um protocolo com o ministro Tareia dos Campos em que este lhe promete coisa nenhuma lá para as calendas gregas) o casal vive agora angustiado sem saber a quem agradecer o feliz desfecho da história: se à N. Sr.ª de Fátima, se ao ministro Tareia dos C.

    

     

 

 


emgestaocorrente às 19:41

Olá

Os interessados podem agradecer aos dois, dirigindo uma carta em papel selado de 25 linhas, um azul, bonito e timbrado com o selo da República, à Unidade de Saúde Familiar. ( O ministro e N.ª Sr.ª fazem um equipa multidisciplinar diferenciada )

Abraço Castelovidense
António Miranda a 12 de Abril de 2007 às 11:56

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