Em gestão corrente ...como o País...

Novembro 02 2011

  

Esta gente

 

 

 

Esta gente cujo rosto

Às vezes luminoso

E outras vezes tosco

 

Ora me lembra escravos

Ora me lembra reis

 

Faz renascer meu gosto

De luta e de combate

Contra o abutre e a cobra

O porco e o milhafre

 

Pois a gente que tem

O rosto desenhado

Por paciência e fome

É a gente em quem

Um país ocupado

Escreve o seu nome

  

E em frente desta gente

Ignorada e pisada

Como a pedra do chão

E mais do que a pedra

Humilhada e calcada

 

Meu canto se renova

E recomeço a busca

De um país liberto

De uma vida limpa

E de um tempo justo

  

Sophia de Mello Breyner Andresen,

in "Geografia", de 1967, incluído em "Obra Poética", Ed. caminho, Lisboa, 2010

 


 


Olá Dr. Ventura!

Pensando em Sophia e "nesta gente" (que por aí anda) aproveito para "recitar" outro de que me tenho lembrado muito:

Pranto pelo dia de hoje

"Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas"

Sophia de Mello Breyner

Leonor Carvalho
Leonor Carvalho a 3 de Novembro de 2011 às 23:18

Obrigado, Drª Leonor pela sua preciosa colaboração!
A aridez da História não lhe secou o bom gosto poético!
bjinho!

Olá! estive a ler este poema mas tive dificuldade a compreendê-lo .....será que podia explicar o que o sujeito poético quer dizer com os seguintes versos:" É agente em quem / um país ocupado / escreve o seu nome ", por favor.
Obrigado :)
Sofia a 30 de Maio de 2014 às 15:22

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