Em gestão corrente ...como o País...

Abril 24 2009

Para o meu coração...


Para o meu coração basta o teu peito,
para a tua liberdade as minhas asas.
Da minha boca chegará até ao céu
o que dormia sobre a sua alma.

És em ti a ilusão de cada dia.
Como o orvalho tu chegas às corolas.
Minas o horizonte com a tua ausência.
Eternamente em fuga como a onda.

Eu disse que no vento ias cantando
como os pinheiros e como os mastros.
Como eles tu és alta e taciturna.
E ficas logo triste, como uma viagem.

Acolhedora como um velho caminho.
Povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Eu acordei e à vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam na tua alma.


Pablo Neruda, in
"Vinte Poemas de Amor e Uma Canção Desesperada", Publ. D. Quixote, 1977
Tradução de Fernando Assis Pacheco

 

    


 

emgestaocorrente às 16:04

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