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Dezembro 08 2008
 
«As cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas.»
 
 
Júlio (1902-1983). «Cabeça de mulher e lua». 1973. Col. Família do Autor, Vila do Conde.

Júlio (1902-1983), Cabeça de mulher e lua, 1973

 

   

   

       Todas as cartas de amor são

Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas.

        

 

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras,

Ridículas.

       

 

As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser

Ridículas.

      

 

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são

Ridículas.

     

 

Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas.

     

 

A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são

Ridículas.

     

 

(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente

Ridículas). 

   
    
Rapinado do Portal Multipessoa, que se recomenda, vivamente!
     

 
emgestaocorrente às 10:29

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