Em gestão corrente ...como o País...

Setembro 25 2008

Já tão perto da eternidade

 

 

Paul Gustave Fischer - Sunbathing in the Dunes (1916)

Já tão perto da eternidade
abria-se, entre grãos de areia
e o vento suave vindo do mar,
a precisa imagem que aos deuses
oferece o precário paraíso.

Do mar, não havia sussurro,
nem a sombra maculava a branca pele
que aos olhos rasgava.

Deusas de luz assim tão luminosa
descansavam da penosa imortalidade
e tudo na calma da tarde se incendiou:
a água tinta de azul, o céu tisnado de branco,
a erva que o vento inclinava
ou os corações: ao tempo abandonavam
a exausta melancolia.

Tão perto da eternidade
eram os dias que Agosto trazia.

 

 

     

 

   Rapinado de "A Ver O Mundo"

      


 


Setembro 24 2008

Teoria da Educação

domingo, 27 de abril de 2008

John Wilmot, Segundo Conde de Rochester (Ditchley, 1 de abril de 1647 — 26 de julho de 1680), foi um libertino inglês, amigo do rei Carlos II e escritor de muita poesia satírica e obscena.

http://pt.wikipedia.org/wiki/John_Wilmot

Acho que muuuuuuuuuita teoria de como educar os filhos vai por água abaixo assim que eles aparecem.

“Antes de casar eu tinha três teorias sobre educar crianças. Agora tenho três crianças e nenhuma teoria.” John Wilmot.


 

emgestaocorrente às 22:15

Setembro 24 2008

mário-henrique leiria / retorno à memória


estar sempre com frio
como o caminhar à noite só sem luz
como a árvore que olha com raiva a tempestade
talvez mesmo como a cama
que conserva apenas as formas já desfeitas
dos corpos que nelas se deitam

depois com o vento
é a saudade das madrugadas doutros tempos
quando o simples descer uma escada
era a mais extraordinária das aventuras
quando a certeza de encontrar uns braços abertos
estava evidente no fundo da escuridão

então tudo era simples muito belo
qualquer palavra tua
era a mais maravilhosa das afirmações
qualquer gesto que fizesses
era o mais belo movimento de amor
caminhar ao acaso
era a grande viagem sempre renovada todos os dias
e à noite
não havia frio como agora
mesmo que o mar nos cobrisse de algas
mesmo que a areia
trouxesse consigo o gelo das mais remotas estrelas

agora amor escuto o teu olhar
através da distância cada vez maior e mais alucinante
que nos separa
escuto-o através da ponte
que formaram os caminhos por nós percorridos um dia
vejo-te como partiste
muito pura flores na testa mãos abertas
igual às madrugadas doutros tempos
igual à grande aventura
de caminhar ao acaso


mário-henrique leiria
a única real tradição viva
antologia da poesia surrealista portuguesa
perfecto e. cuadrado
assírio & alvim
1998

 

(via   #poesia )


 

emgestaocorrente às 22:03

Setembro 24 2008

       

   Via "Abaixo de Cão

cheguei ao The Big Picture do Boston.com 

que mostra fotografias espectaculares,

da política aos desportos.

   Vale a pena passar por lá!

A que se reproduz

é de Londres à noite.

      

                


 

emgestaocorrente às 21:45

Setembro 23 2008

 

Verdes anos - Carlos Paredes - Sons do Tempo

 

   E para que não restem dúvidas sobre a qualidade dos Sons do Tempo, uma magnifica interpretação dos Verdes Anos, uma das criações do Mestre Carlos Paredes.

   Na guitarra portuguesa, António Eustáquio.

     


 


Setembro 23 2008

Suite das folhas - Poema a uma folha caída - Sons do Tempo

 

   Sons do Tempo designou um quarteto de cordas com guitarra portuguesa, violino, violoncelo e viola de arco (espero não me estar a enganar, pois estou a escrever de cor, sem o CD presente).

   Esta música é um dos andamentos da Suite das Folhas, da autoria de António Eustáquio que é o líder do grupo e toca guitarra portuguesa.

   Foi ao António (um abraço de amizade e admiração!) que Luísa Amaro, viúva do grande Carlos Paredes, confiou o guitolão, instrumento de cordas inventado pelo Mestre Paredes.

       


 


Setembro 23 2008

 

   A pintora Ana Pimetel teve a gentileza de me mandar um mail a informar que a sua próxima exposição será no

Centro Cultural de Ponta Delgada
1.10.2008   |   31.10.2008
                                                                                                                                       Inauguração Oficial > 1.10.2008        Abertura ao Público > 2.10.2008

   Aproveito para recordar alguns dos seus trabalhos

Studio

 

 
.
.
My work reflects the spirit of traditional Portuguese culture; to a positive cultural reference in my Country ( Arquitectural Construction, Mosaic, Tradition, Flowers, Gardens, Folklore, Lace, Embroidery, Festivity, Joy...)A passion for colour, combined with an intuitive yet finely crafted working process.
 
To enjoy every Moment - 2008
mixed media on paper - 49,5x68cm
 
      

 

emgestaocorrente às 20:11

Setembro 18 2008

Verdi - Traviata - Choeur Bohémiens
Enviado por
Quarouble
     

Da maneira como está o país,

com um governo de plástico,

com um chefe produto das agências de imagem,

e meia dúzia de cromos avulsos,

com uma oposição quase tão entusiasmante como o governo,

deixem-me ter um devaneio juvenil

e aproveitem para se divertirem com este filme de animação

feito a partir de um trecho de uma ópera de Verdi

   


 

emgestaocorrente às 21:04

Setembro 17 2008

   

   Nos últimos 2 meses o preço do barril de petróleo, no mercado internacional, baixou 40%.

   Em Portugal os produtos petrolíferos baixaram 4%!!!

   Ó da guarda que alguém me está a roubar!!!

     


 


Setembro 17 2008

             

Fechar esta janela...

   

Júlio Pomar,

Auto-retrato, duas (ou três) laranjas e,

de pernas para o ar, um macaco,

óleo s/ tela, 162x114, 1973

      Galeria S. Mamede


 

emgestaocorrente às 22:18

Setembro 17 2008

          Fechar esta janela... 

António Ferrão,

15 knots, óleo s/ tela 89x116, 2005

Galeria S. Mamede

   


 

emgestaocorrente às 19:42

Setembro 17 2008

        

   Sem Título #495

   

Gonçalo Pena,

s/título, óleo s/ tela, 163x145

Galeria Graça Brandão

     


 


Setembro 17 2008

      

Fechar esta janela...

 

Luís Melo,

ainda te espero, acrilico s/ tela, 60x120,

Galeria S. Mamede

    


 

emgestaocorrente às 18:51

Setembro 17 2008

A sombra da casa onde nasci

 


Tentei fugir da mancha mais escura
que existe no teu corpo, e desisti.
Era pior que a morte o que antevi:
era a dor de ficar sem sepultura.

Bebi entre os teus flancos a loucura
de não poder viver longe de ti:
és a sombra da casa onde nasci,
és a noite que à noite me procura.

Só por dentro de ti há corredores
e em quartos interiores o cheiro a fruta
que veste de frescura a escuridão...

Só por dentro de ti rebentam flores.
Só por dentro de ti a noite escuta
o que me sai, sem voz, do coração.

David Mourão-Ferreira

     

Rapinado, com a devida vénia, do indispensável "Corte na aldeia"

     


 


Setembro 17 2008
 
o pantomineiro
     

Há 2 meses, para além de "ultramontana" e "retrógrada", Manuel Ferreira Leite, a propósito do casamento entre pessoas do mesmo sexo, foi igualmente acusada de ter sobre o assunto conceitos "pré-modernos" e "pré-concílio do Vaticano II". Para além de saudar o esforço ecuménico do primeiro-ministro, fica a satisfação por, finalmente hoje, ter percebido qual a sua opinião acerca do assunto (sim, por que até agora, Sócrates tinha-se limitado ao "bota abaixo"). Sócrates não é a favor nem contra. Ou melhor, é contra se o contrário o fizer perder votos e será a favor quando isso o fizer ganhar eleições. Melhor retrato do sujeito que nos governa não há.



publicado por Rui Castro às 14:38
link do post | o que é hoje o jantar? | outra vez empadão? (1)
        
   Rapinado, com a devida vénia, do 31 da Armada.
          

 


Setembro 08 2008

     

   De férias esta semana, no Alto Alentejo, pois claro!, com um calor que não deve haver noutras regiões, 4 poemas eróticos, de rajada!

   Ora toma!

    

      

José Gomes Ferreira

    

De: Café

  

De súbito, o diabinho que me dançava nos olhos,

mal viu a menina atavessar a rua,

saltou num ímpeto de besouro

e despiu-a toda...

   

E a Que-Sempe-Tanto-Se-Recata

ficou nua,

sonambulamente nua,

com um seio de ouro

e outro de prata.

    

    

Vasco Graça Moura

  

5.    vai-se a lasciva mão

   

vai-se a lasciva mão devagarinho

no biquinho do peito modelando

como nuns versos conhecidos quando

uma mulher a meio do caminho

   

era de vento e nuvens, sombras, vinho,

e sonoras risadas como um bando.

os dedos lestos vão desenredando

roupa,cabelos, fitas, desalinho.

  

a noite desce e a nudez define-a

por contrastes de luz e de negrume

ponto por ponto, alínea por alínea.

  

memória e amor e música e ciúme

transformados nos cachos da glicínia,

macerando no verão sombra e perfume.   

   

  

David Mourão-Ferreira

    

Presídio

 

Nem todo o corpo é carne... Não, nem todo.

Que dizer do pescoço, às vezes mármore,

às vezes linho, lago, tronco de árvore,

nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco...?

    

E o ventre, inconsistente como o lodo?...

E o morno gradeamento dos teus braços?

Não, meu amor... Nem todo o corpo é carne:

é também água, terra, vento, fogo...

   

É sobretudo sombra à despedida;

onda de pedra em cada reencontro;

no parque da memóra o fugidio

  

vulto da Primavera em pleno Outono...

Nem só de carne é feito este presídio,

pois no teu corpo existe o mundo todo!

     

    

Natália Correia

   

Cosmocópula

    

O corpo é praia a boca é a nascente

e é na vulva que a areia é mais sedenta

poro a poro vou sendo o curso de água

da tua língua demasiada e lenta

dentes e unhas rebentam como pinhas

de carnívoras plantas te é meu ventre

abro-te as coxas e deixo-te crescer

duro e cheiroso como o aloendro

    

    

in "Eros de passagem, Poesia erótica contemporânea",

Selecção e prefácio de Eugénio de Andrade,

Ed. Campo das Letras, Porto, 1997

    


 


Setembro 05 2008

  

   De certo que todos se lembram da empáfia com que o ex-Ministro da Saúde, António Correia de Campos, com o ar arrogante e o risinho cínico que lhe era peculiar, afirmava para as televisões que era o maior, o único que, a ocidente, conseguia conter as despesas em saúde.

   Quem trabalha na área sabia que não podia ser verdade, que as despesas em saúde só podem aumentar e que conter os seus custos é uma tarefa que nem países decentes conseguem.

   Sabe-se agora que a divida dos hospitais as laboratórios produtores de medicamentos já ultrapassou os 737 milhões de euros verba recorde!) e que o atraso no pagamento já ultrapassa os 12 meses!

   Ora aí está: não se paga, logo as despesas estão contidas!!!

   Grande cérebro: o lixo que se varre para baixo do tapete não se vê!

   Haja Deus, que de engºs já chega!!!!

   (E a propósito: a Dr.ª Ana Jorge ainda existe? Ainda será ministra?)

    


 

emgestaocorrente às 21:58

Setembro 04 2008

   

   Com um esforço solene, o padre Ángel acordou. Esfregou os olhos com os nós do dedos, afastou a cortina do mosquiteiro e permaneceu sentado na esteira lisa, por um momento pensativo, o tempo indispensável para verificar que estava vivo e para se lembrar da data em que se encontrava e da sua relação com o santoral. "Terça-feira, quatro de Outubro", pensou, pronunciando em voz baixa: "São Francisco de Assis".

   Vestiu-se sem se lavar e sem rezar. Era alto, sanguíneo, com uma figura pacífica de boi manso, e movia-se como um boi, com gestos lentos e tristes. Depois de rectificar a abotoadura da sotaina com a atenção lânguida dos dedos com que se verificam as cordas de uma harpa, retirou a tranca e abriu a porta do pátio. Sob a chuva, os nardos trouxeram-lhe à memória as palavras de uma canção.

   - "O mar crescerá com as minhas lágrimas" - suspirou.

   O quarto comunicava com a igreja por meio de um corredor interior com vasos de flores, o chão coberto com ladrilhos soltos por cujas juntas começava a crescer a erva de Outubro. Antes de se dirigir à igreja, o padre Ángel entrou na retrete. Urinou com abundância, contendo a respiração para não sentir o intenso cheiro amoniacal que lhe fazia saltar as lágrimas. Depois saiu para o corredor, recordando: Este barco me levará ao teu sonho". Ao passar a estreita porta da igreja sentiu o cheiro dos nardos pela última vez.

   ...

     

   Este é o inicio do romance "A hora má: o veneno da madrugada", de Gabriel García Marquez, ed. Dom Quixote, tradução de Egito Gonçalves, Lisboa, 2008.

   O livro foi escrito em 1961, nele se encontrando já referências a Macondo e a personagens que vão aparecer, mais tarde, nesse extraordinário romance (talvez o melhor da história da literatura) que é "Cem anos de solidão".

   Não perca tempo; o que gastar a lê-lo será a melhor maneira de viver, excepto, claro, o tempo que gastar a brincar e passear comos seus netos...

  


 


Setembro 03 2008

                             

       


 

emgestaocorrente às 21:48

Setembro 03 2008

   

General, o teu tanque é um carro forte.

Arrasa um bosque e esmaga centos de homens.

Mas tem um defeito:

Precisa de um condutor.

  

General, o teu bombardeiro é forte.

Voa mais rápido que uma tempestade e carrega mais

                                                               que um elefante.

Mas tem um defeito:

Precisa de um mecânico.

    

General, o homem é muito hábil.

Sabe voar e sabe matar.

Mas tem um defeito:

Sabe pensar.

     

Bertolt Brecht, in

"Os poemas da minha vida", de Jorge Pinheiro,

tradução de Paulo Quintela   

     


 

 

emgestaocorrente às 21:31

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