Em gestão corrente ...como o País...

Junho 29 2007

             

      Última hora:

      Fontes fidedignas ligadas ao Gabinete do Ministro da Saúde, garantiram-nos, em primeira mão, que o Ministro Correia de Campos se preparava para assinar o despacho de demissão do estudante universitário Correia de Campos.

      Com efeito, o Ministro foi informado por alguns bufos do aparelho socialista que o estudante com a mesma identidade, nos anos sessenta, tinha colado cartazes, distribuído panfletos e assinado comunicados críticos e pouco simpáticos para o governo de então.

      Assim, o Ministro, pessoa séria, isenta, coerente e democrática, embora com desgosto, acabou por decidir a sua própria demissão ao se aperceber que o estudante que tinha cometido aqueles delitos de opinião era ele próprio.

    



Junho 29 2007

    

      O Prémio Salazarismo sem Salazar foi atribuído por unanimidade e aclamação ao governo do "Eng.º" José Sócrates.

      O Júri, inicialmente muito dividido entre a comissária politica do Norte e o deslumbrado Correia de Campos, acabou por considerar que tais personagens não tinham existência real, tratando-se apenas de títeres virtuais inventados e às ordens do grande timoneiro - o "Eng.º" José Independente Sócrates.

      Considerando que, embora com menos mediatismo, todos os ministros se têm esforçado em fazer reviver velhos hábitos e costumes salazarentos, o júri acabou por atribuir tão democrático e prestigiado prémio ao governo em bloco.

      Português sofre.

      Haja Deus!

     



Junho 28 2007

       Um blues à antiga, com Big Mama Thornton (clique no símbolo, em baixo)

 

Link do ficheiro áudio em formato Windows Media Áudio

    

 


 

emgestaocorrente às 22:29

Junho 28 2007

 

 

 


 

emgestaocorrente às 22:18

Junho 23 2007

     

Ó Portugal, se fosses só três sílabas,

linda vista para o mar,

Minho verde, Algarve de cal,

jerico rapando o espinhaço da terra,

surdo e miudinho,

moinho a braços com um vento

testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,

se fosses só o sal, o sol, o sul,

o ladino pardal,

o manso boi coloqial, a rechinante sardinha,

a desancada varina,

o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,

a muda queixa amendoada

duns olhos pestanítidos,

se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,

o ferrugento cão asmático das praias,

o grilo engaiolado, a grila no lábio,

o calendário na parede, o emblema na lapela,

ó Portugal, se fosses só três sílabas

de plástico, que era mais barato!

   

*

  

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,

rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,

não há "papo-de-anjo" que seja o meu derriço,

galo que cante a cores na minha prateleira,

alvura arrendada para o meu devaneio,

bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,

golpe até ao osso, fome sem entretém,

perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,

rocim engraxado, feira cabisbaixa,

meu remorso,

meu remorso de todos nós...

   

Alexandre O'Neil,

in "Feira Cabisbaixa", 1965

      

(porque tenho a sensação que este poema volta a estar tão actual?)

    

 


 

emgestaocorrente às 19:34

Junho 23 2007

     

   Luis Filipe de Menezes, Presidente da Câmara Municipal de Gaia (a 3ª ou 4ª maior Câmara do país), publicou no seu blogue, na 5ª feira passada, este excelente post   que não resisto a rapinar, com a devida vénia. 

  

Travar para pensar

Há uns meses optei por ir de Copenhaga a Estocolmo de comboio. Comprado o bilhete, dei comigo num comboio que só se diferenciava dos nossos alfa por ser menos luxuoso e dotado de menos serviços de apoio aos passageiros,
A viagem, através de florestas geladas e planícies brancas a perder de vista, demorou cerca de cinco horas. Não fora ser crítico do projecto TGV e conhecer a realidade económica e social desses países, daria comigo a pensar que os nórdicos, emblemas únicos dos superavites orçamentais, seriam mesmo uns tontos. Se não os conhecesse bem perguntaria onde gastam eles os abundantes recursos resultantes da substantiva criação de riqueza.
A resposta está na excelência das suas escolas, na qualidade do seu Ensino Superior, nos seus museus e escolas de arte, nas creches e jardins--de-infância em cada esquina, nas políticas pró-activas de apoio à terceira idade. Percebe- -se bem porque não construíram estádios de futebol desnecessários, porque não constroem aeroportos em cima de pântanos nem optam por ter comboios supersónicos que só agradam a meia dúzia de multinacionais.
O TGV é um transporte adaptado a países de dimensão continental, extensos, onde o comboio rápido é, numa perspectiva de tempo de viagem/custo por passageiro, competitivo com o transporte aéreo.
É por isso, para além da já referida pressão de certos grupos que fornecem essas tecnologias, que existe TGV em França ou Espanha (com pequenas extensões a países vizinhos). É por razões de sensatez que não o encontramos na Noruega, na Suécia, na Holanda e em muitos outros países ricos.
Tirar 20 ou 30 minutos ao Lisboa-Porto à custa de um investimento de cerca de 7,5 mil milhões de euros não terá qualquer repercussão na economia do País. Para além de que, dado hoje ser um projecto praticamente não financiado pela União Europeia, ser um presente envenenado para várias gerações de portugueses que, com mais ou menos engenharia financeira, o vão ter de pagar.
Com 7,5 mil milhões de euros pode construir-se mil escolas Básicas e Secundárias de primeiríssimo mundo que substituam as mais de cinco mil obsoletas e subdimensionadas (a 2,5 milhões de euros cada uma), mais mil creches inexistentes (a 1 milhão de euros cada uma), mais mil centros de dia para os nossos idosos (a 1 milhão de euros cada um). Ainda sobrariam cerca de 3,5 mil milhões de euros para aplicar em muitas outras carências, como a urgente reabilitação de toda a degradada rede viária secundária. Cabe ao Governo reflectir, cabe à oposição contrapor, cabe aos cidadãos rebelarem-se.

 


emgestaocorrente às 18:07

Junho 21 2007

   

   

gouache sobre papel, 1968

   

 


 


Junho 21 2007

         

  

 


 

emgestaocorrente às 22:46

Junho 21 2007

        

Sei que estou vivo e cresço sobre a terra.

Não porque tenha mais poder,

nem mais saber, nem mais haver.

Como lábio que suplica outro lábio,

como pequena e branca chama

de silêncio,

como sopro obscuro do primeiro crepúsculo,

sei que estou vivo, vivo

sobre o teu peito, sobre os teus flancos,

e cresço para ti.

    

Eugénio de Andrade,

in "Cumplicidades do Verão"

    

 


 

emgestaocorrente às 22:21

Junho 20 2007

           

   A Arte da Fuga (www.aartedafuga.blogspot.com ) publicou hoje este post sobre o aeroporto de Lisboa que não resisto a rapinar, com a devida vénia, claro.

  

Vantagens comparativas, janelas quebradas

É exasperante ouvir, vez e vez seguida, que "nenhuma capital europeia tem um aeroporto no seu centro", e Lisboa tem-no, logo é preciso mandar o aeroporto da Portela bem para longe.

A grande proximidade do aeroporto de Lisboa ao seu centro é uma vantagem relativamente a outros destinos. Ao deslocá-lo para longe, a cidade não fica mais igual ao padrão europeu, fica pior — e mais indistinta. Ao fazerem a sua lista de preferências, os viajantes agora darão a Lisboa uma classificação inferior. O mau não pode ser bom. Tal como não pode ser bom todo o progresso que será criado "de raiz" na dita cidade aeroportuária, quando na verdade todo o investimento terá de ser desviado — arrastado — para longe do seu natural enquadramento.

Os europeus não têm, a poucos quilómetros da cidade, praias como as da linha de Cascais e da linha da Caparica. Há que as desactivar, investindo noutros acessos ao mar, mais longe? Com que vantagens? E é verdade que a maior parte das capitais europeias não tem rio e mar. Podia ser boa ideia recuar Lisboa para o interior da Estremadura. Se poucas cidades europeias têm tanta insolação, que confere a Lisboa a sua famosa luminosidade e clima ameno, talvez fosse melhor obrigar as pessoas a trabalhar às escuras, para simular climas menos mediterrâneos. E, se por inspiração divina fossemos o povo mais esforçado do mundo, bem podíamos trabalhar com uma só mão.

tema por AA em 08:00 18 contrapontos  

       

 


 

emgestaocorrente às 22:53

Junho 20 2007

         

   Qualquer  "coisa" parecida com um jovem de 19 anos matou a tiro um idoso de 75 anos para lhe roubar 70 €.

   Três semanas antes a mesma "coisa" tinha assassinado uma mulher para a roubar.

   A "coisa" foi presa , dias depois, pela Policia Judiciária do Porto, em flagrante delito, a assaltar a residência de um idoso.

   A "coisa" foi condenada hoje, pelo Tribunal de Famalicão a 17 anos de prisão pelo 1º crime.

   

   (Citação do Portugal Diário de hoje)

   

 

 



Junho 20 2007

   

   "Antes gostávamos de dizer que a direita era estúpida, mas hoje em dia não conheço nada mais estúpido que a esquerda"

   (José Saramago, 20/6/07, na conferência "Lições e Mestres, Santilhana del Mar, Espanha)

    

   Se José Saramago, prémio Nobel da literatura, destacado militante comunista e amigo de Cuba e de Fidel, o diz quem sou eu para o desmentir?

   Aliás, estou completamente de acordo!

   

   (Citação retirada da edição de hoje do Portgal Diário (www.portugaldiario.iol.pt)

   

 


emgestaocorrente às 22:22

Junho 19 2007

      

         

  

A Pequena Sereia, de Bela da Silva

 

 


 

emgestaocorrente às 23:32

Junho 19 2007

       

      O Dr. Paulo Mendo é um médico, politico e gestor de excepcional inteligência e lucidez, um dos poucos portugueses que possui uma visão estruturada e humanista do que deve ser um Seviço Nacional de Saúde para Portugal e para hoje.

      Subscreve às quintas-feiras, n' O Primeiro de Janeiro, uma coluna de opinião, não necessariamente sobre temas médicos.

      Na última, a 14/6/07, faz uma reflexão sobre o estado actual do exercício da medicina e a relação médico-doente que é simplesmente exemplar.

      Com a devida vénia (e um grande abraço de amizade e admiração) se trancreve o texto na sua totalidade. 

     

Opinião

A Medicina e a Clínica


Paulo Mendo*

Há mais de vinte anos afirmei que a clínica, sobretudo em ambulatório, tinha que ser lenta e demorada poque só assim permitia a criação do clima de empatia necessário entre médico e doente.
Era a defesa da chamada medicina lenta que, curiosamente, despertou reacções de incompreensão de muitos colegas porque, na altura, vivia-se no convencimento de que a técnica médica e os progressos diagnósticos davam ao clínico rapidamente tudo aquilo que ele precisava para um diagnostico rápido, podendo por isso, diminuir o tempo médio das consultas e ter a seu cargo muito mais doentes!
O tempo tem vindo a confirmar que esta é uma visão errada e muito redutora da importãncia da relação entre doente e clinico, visão que despreza o essencial relacionamento entre os dois e centra erradamente o médico sobre a doença sem se preocupar em, investigar, com o seu doente, os comportamentos, hábitos, problemas e angústias que fazem com que cada pessoa “faça” a sua própria doença.
Mas infelizmente continua a ser esta a visão corrente na medicina actual, sobretudo a especializada e hospitalar, que priveligia a doença, esquecendo o doente.
A enorme confiança, com justa razão, nos avanços da tecnologia médica tem feito com que o médico se “esqueça” de ouvir o doente e, pressionado pelo tempo e confiante nos exames técnicos, reduza o dossier do seu cliente a um conjunto de resultados de exames que pouco ou nada lhe dizem sobre o doente a que pertencem.
E as razões são várias, a mais importante das quais talvez seja a burocratização e massificação dos serviços de saúde.
A necessária racionalidade da gestão, a contenção de custos, a organização do trabalho, a luta contra os desperdícios, são essenciais, mas transformam, tantas vezes, as relações de compreensão, apoio e delicadeza para com os doentes, amedrontados, angustiados e, tantas vezes desamparados, em frias relações burocráticas em que o papel, o cartão, a guia, ou o cumprimento de labiríntica burocracia se sobrepõem à humana ajuda ao nosso semelhante.
E é esse o perigo mortal das grandes organizações estatais de serviços.
Envolvidos neste processo, em que os objectivos se medem pelo número de doentes tratados, diminuição dos tempos de internamento, número de actos praticados, número de consultas efectuadas, muitos médicos, felizmente nem todos, esquecem o doente que está perante eles e, confiantes nos exames que pediram e interessados apenas no rápido diagnóstico, “despacham” a consulta sem que o “seu” doente tenha tido sequer a possibilidade de explicar as suas queixas porque não há tempo para isso.
E o mal é que, com a persistência destes comportamentos, se gerou uma cultura de serviço que se estende à sociedade, transformando o cidadão num “utente” que procura o médico, para ver se tem as tensões boas, ou se não é diabetico, ou procurando uma cura como se esta estivesse dependente do número de análises e de exames que o médico pedir.
Costumo dizer que se vai ao médico como se vai a um posto dos Correios. Neste pede-se um selo ou manda-se uma carta, No médico pedem-se diagnósticos rápidos com análises. Em ambos os sítios ninguém se ficou a conhecer, o que, se é natural nos Correios é um desastre inadmíssivel em medicina clínica.
Esta situação tem sido levantada, discutida e analisada pelos médicos de família, nas suas associações, nos seus congressos e nas suas publicações.
Porque o médico de família sabe que é a vida de cada um, que são os nossos hábitos, os nossos vícios, o nosso temperamento, os grandes formatadores da forma como a doença, ou a simples perturbação de saúde, se manifesta em cada um de nós. Por isso, sente e sabe a importância de conquistar a confiança dos seus clientes, de os estimular a serem intervenientes interessados e co-responsáveis pelo próprio tratamento, de fazerem equipa consigo e nele confiarem, porque não duvidam da sua compreensão e ajuda.
Foi precisamente a importância dada à colheita de uma minuciosa história do doente e à uma rigorosa apreciação clínica dos sinais e sintomas, que tornaram a medicina francesa da primeira metade do seculo XX, a melhor do mundo na sua capacidade de tratar, compreender e centrar toda a sua acção no doente.
É esta capacidade de ver no seu cliente um ser humano e não um simpes portador de uma doença, que é essencial em medicina familiar e contitui, por isso, motivo de preocupação e de estudo de propostas adequados, como é o caso com as Unidades de Saúde Familiar (USF) em incrementação nos cuidados primários do SNS.
Mas mesmo na área hospitalar, é essencial a delicadeza do atendimento e a franca informação do doente, porque vindo este já referenciado pelo seu médico de família e sendo hospitalizado para tratamento, corre o risco de ser completamente esquecido como pessoa, eclipsado na luta técnica entre a medicina e a sua doença.
Aliás ainda há dias, no “Público” de 10 de Junho, um longo artigo anunciava a saída de um livro da autoria de Jerome Groopman sobre a medicina e os médicos na sua relação com a doença e os doentes, onde são denunciados os perigos dos comportamentos profissionais “científicos”, tecnicamente excelentes mas que esquecem o doente.
De notar que o autor do livro, que vai ser publicado em Portugal, é um eminente professor da Harvard Medical School, investigador de fama mundial nas áreas da oncologia e SIDA, da neurobiologia e da genética das doenças degenerativas do sistema nerovso, com mais de cento e cinquenta artigos de investigação publicados, para além de ser um frequente editorialista do “Washington Post” e do “New York Times”e escritor de vários livros de política e filosofia da saúde.
Enfim uma voz autorizada escutada em todo o mundo científico que esperamos seja ouvida em Portugal.


*Médico
Ex-ministro da Saúde

         



emgestaocorrente às 22:42

Junho 19 2007

         

      Segundo um relatório da Comissão Europeia ontem divulgado e hoje citado no Diário de Noticias, o salário mínimo português é de 546 €, o espanhol é de 725 €, o francês é de 1.150 € e o luxemburguês é de 1.503 € !!!

      Estes valores estão expressos em PPC (Paridades de Poder de Compra), ou seja o que cada salário nominal pode, na realidade, comprar num certo cabaz de compras pré-determinado.

      Nota: o Luxemburgo é um pequeno país interior, sem acesso ao mar, sem riquezas naturais e em que cerca de 1/3 da população é composta por emigrantes portugueses!

      Então o nosso problema é a falta de riquezas naturais? É a nossa diminuta dimensão? É a nossa mão de obra?

      Evidentemente que não e aí está o Luxemburgo a prová-lo!

     



Junho 19 2007

          

      No ano passado, por esta altura, o Dr. Alberto Costa, Ministro da Justiça, ocupava as páginas nobres da comunicação social, por causa da guerra com os magistrados, a propósito das férias judiciais.

      Perdida essa guerra, na realidade os juízes e delegados fizeram o que lhes apeteceu, não agendando diligências nem julgamentos, o Dr. Alberto Costa entrou em progressiva hibernação, não havendo, há muito, sinais de vida deste ministro; emigrou? está de férias prolongadas?

      Entretanto a Justiça está no estado em que está.

    


emgestaocorrente às 22:02

Junho 06 2007

           

quando, minha luminosa, deitado penso em ti

e a teu lado bebo as sombras que te pousam na pele,

apenas a harmonia se respira

da tua testa pousada no meu peito, das tuas mãos presas às minhas.

    

a noite avança e eu a medo toco o teu cabelo.

o silêncio tem a paz de um olival e dos nossos passeios no alentejo,

o meu amor é como a lua a aflorar-te a face adormecida,

o meu amor é esta e todas as noites, um sobressalto de

estrelas benfazejas,

     

uma espuma serena em que repouses, uma corrente em que nades de alegria,

uma vide a entrelaçar-te, ó minha luminosa, uma concha de ternura que te guarde.

uma espécie de música que vá vibrando em ti.

    

    

Vasco Graça Moura

in  "currente calamo" (Poesia 2001/2005)

 

 

 


emgestaocorrente às 22:27

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