Em gestão corrente ...como o País...

Agosto 18 2008

                

   De "A a Z", visita diária obrigatória, mais um poema de Nuno Júdice:

        

Tempo fluvial

 

 

 

 

 

Se eu definisse o tempo como um rio,
a comparação levar-me-ia a tirar-te
de dentro da sua água, e a inventar-te
uma casa. Poria uma escada encostada
à parede, e sentar-te-ias num dos seus
degraus, lendo o livro da vida. Dir-te-ia:
«Não te apresses: também a água deste
rio é vagarosa, como o tempo que os
teus dedos suspendem, antes de virar
cada página.» Passam as nuvens no céu;
nascem e morrem as flores do campo;
partem e regressam as aves; e tu lês
o livro, como se o tempo tivesse parado,
e o rio não corresse pelos teus olhos.

 

 

                


 

emgestaocorrente às 14:42

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