Em gestão corrente ...como o País...

Julho 17 2008

               

 

   Muitas vezes em desacordo com as posições e análises politicas de Jorge Careira Maia, a verdade é que, também muitas vezes, me apetece fazer minhas algumas das suas análises.

   O texto que se segue merece a minha total concordância.

   Excelente, Jorge!

  

  

Há, sobre as causas do atraso de Portugal, um persistente equívoco. A teoria oficial centra-o no défice de formação e de qualificação dos portugueses. Há dias, o ministro Vieira da Silva, em debate com o bispo D. Manuel Clemente, afirmava: "O que precisamos é de atacar o nosso défice mais profundo, que é o défice do conhecimento, da educação e da formação." 

Como consequência desta teoria, a escola portuguesa, durante a democracia, tem sido vítima das mais tontas intervenções, desde a trágica Reforma de Roberto Carneiro até à fúria persecutória dos docentes por parte do actual governo, passando pela paixão de Guterres. Toda esta gente pensa que a escola é o lugar onde a sociedade portuguesa se há-de redimir.

O problema é que, por mais que se mexa na escola, o nosso atraso persiste sem alteração. O que se continua a ignorar é a cultura e a atitude que os portugueses exibem na vida comunitária, é ela que está na base do mau desempenho social, económico, político e também escolar. Que atitude é essa?

O Presidente da República, no discurso do 10 de Junho, tocou no problema ao dizer: "Temos de começar por ser exigentes e rigorosos connosco". O problema de Portugal não é a falta de conhecimento e de educação escolar; é, antes, a falta de rigor e de exigência que os portugueses colocam naquilo que fazem, incluindo na escola. Um país que tem por lema a expressão «desenrasquei-me» pode ser muito «desenrascado», mas nunca passará de um país medíocre. Onde deveria haver trabalho sério, profundo e continuado, há um mero «desenrascanço». Portugal é assim o lugar onde até as coisas que aparentam ser bem feitas estão cheias de buracos, truques e armadilhas escondidos, que se manifestarão na primeira oportunidade.

O problema não é a falta de escolarização, mas a forma como lidamos com a vida. Se não queremos nem gostamos de estudar é porque estamos convencidíssimos, devido à experiência social, que o conhecimento serve para pouco e o que interessa mesmo é que o pessoal se «desenrasque», seja lá como for. Mas onde assenta esta cultura lusíada do «desenrasca»?

 

   

Esta cultura funda-se numa experiência de sobrevivência. No fundo, as elites nacionais, sociais, económicas e políticas, no seu «desenrascanço» atávico, nunca permitiram à maioria dos portugueses outra coisa para além da mera sobrevivência. Sobreviver não é viver de forma digna, sobreviver é «desenrascar-se» para não morrer à míngua. É isto que os portugueses fazem na escola, nas empresas, nas relações económicas, na política; até na religião, através da promessa, se tenta iludir a divindade. Em todo o lado enganam a realidade para fugir à miséria que os ameaça. O nosso principal problema é a falta de rigor e de exigência connosco fundada no círculo vicioso entre miséria e «desenrascanço». O resto é conversa de políticos que vivem, também eles, da miséria do «desenrascanço».

A VER O MUNDO
http://averomundo-jcm.blogspot.com

 

O nosso atraso

emgestaocorrente às 21:06

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