Em gestão corrente ...como o País...

Dezembro 18 2007

   José Pacheco Pereira no seu blogue "Abrupto", publicou o seguinte post :

 

Penosa a cena de Maria Barroso e Villas Boas a irem com as televisões atrás beijar o sargento que mantem na sua posse a criança "Esmeralda", numa manifestação de completa irresponsabilidade face a um problema que só ajudam a agravar. Em breve se saberá se há estado de direito ou de espectáculo em Portugal.

 

    

   Esta atitude de José Pacheco Pereira sobre o "caso Esmeralda" não é nova e tem sido repetida em crónicas e na "Quadratura do Círculo" da Sic-Noticias .

   Pese embora a grande consideração e a coincidência de pontos de vista que, quase sempre, compartilho com aquele pensador e politico, neste caso, mais valia que Pacheco Pereira guardasse prudente silêncio.

   Relembremos os factos mais importantes:

  1. Um indivíduo com passado pouco abonatório estabelece uma relação, fugaz, com uma emigrante brasileira.
  2. Dessa relação resulta o nascimento de uma criança.
  3. A emigrante, clandestina e desempregada, tenta várias vezes encontrar-se com o indivíduo, mas este consegue escapar sempre
  4. Os próprios pais recusam o contacto com a brasileira e recusam, até, ver a neta.
  5. Acossada pelas condições sociais e económicas, a mãe da criança, aos 3 meses de idade, entrega-a, para adopção, a um casal sem filhos com bom estatuto socioeconómico .
  6. Este casal, desconhecedor dos meandros legais e, provavelmente, mal aconselhado inicia o processo de adopção tarde e na instituição estatal  destituída de capacidade legal para o acto.
  7. Entretanto, o Ministério Público, como é sua obrigação legal, inicia um processo de investigação de paternidade, visto que a criança tinha sido registada sem pai declarado.
  8. Neste processo, o pai "biológico é obrigado pelo Ministério Público, e só por isso!, a fazer o teste do ADN, que confirma a paternidade.
  9. Concomitantemente, noutro Tribunal, é aberto um processo de adopção, pelos pais "afectivos"; na realidade os únicos que a criança conhece (e reconhece!); este processo, penso que ainda decorre.
  10. Obrigado legalmente ao reconhecimento da paternidade, o pai "biológico"´só posteriormente solicita o exercício do poder paternal;
  11. Entretanto, a criança tem 3 ou mais anos e já é, para todos os efeitos (psicológicos, emocionais, afectivos) filha do casal "adoptante" que, por sua vez, já interiorizou que aquela criança era a"sua" filha.
  12. Os acontecimentos posteriores são mais recentes e estão na memória de todos.

    Moro no prédio ao lado do deste casal. A minha neta tem morado no apartamento da frente e brinca assíduamente com a criança. Conheço, portanto, muito bem o ambiente familiar e as relações entre a criança e os, para ela, únicos pais.

   Posso, por isso, e porque toda a minha vida profissional, de mais de 3 décadas, sempre foi essencialmente dedicada às crianças, testemunhar e opinar que, neste caso, e aos 6 anos de vida, o crime será extorquir o lar e a familia real a esta criança para a entregar a um, para ela, desconhecido que a recusou quando ela mais precisava, que parece não ter meios de vida e que organizou uma encenação (essa sim, um espectáculo televisivo) de um quarto à espera da criança, com ursinhos de peluche cor de rosa, exaustivamente filmados pelas televisões, numa casa que andaria a recuperar para o efeito e cujas obras imediatamente foram abandonadas mal se apagaram os holofotes televisivos!

  

   Meu caro Pacheco Pereira:

   Reconheça, como é elementar  bom senso, que numa coisa o (não saudoso) Eng.º Guterres tinha razão: as pessoas primeiro!

   E, neste caso, as pessoas primeiro, significa a criança  continuar o seu normal processo de desenvolvimento no lar e com os únicos pais que sempre o foram desde os 3 meses de idade.

   Creia que os especialistas do Hospital Pediátrico de Coimbra não tomaram as posições que assumiram (incluindo a ruptura da colaboração com o Tribunal) de ânimo leve ou por birra...

   Para seu provável escandalo: tivesse eu o mediatismo de Maria Barroso ou mesmo de Villa Boas e teria actuado da mesma maneira e, se calhar, com mais insistência na comunicação social!

   Alguma vez na vida eu teria de concordar com Maria Barroso; foi desta!

    E para finalizar: a irresponsabilidade está do lado de quem, com palas nos olhos, só admite o determinismo biológico, senhor de tudo, resquicio do mais retrógado marxismo-leninismo, que, apesar de tudo, e quando menos se espera, estala o verniz  e reaparece à luz do dia.

   Creia-me um atento ouvinte e leitor que continuará, frequentemente, a tirar proveito da sua companhia seja nos jornais, televisão ou no Abrupto (meu vicio diário).

   Com a maior consideração e estima pessoal.

   



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