Em gestão corrente ...como o País...

Dezembro 14 2007

  

Elegia do teu corpo na praia

    

De costas para o mar.

as tuas pernas como dois lírios brancos.

duas conchas cavadas no lado de trás dos joelhos,

pequenas gotas de água evaporando-se dentro delas.

o sol começa a dar-te uma cor de ébano novo.

a luz é intensa.

estendo-me junto de ti.

pouso a cabeça nos teus quadris,

essa doce e quente enseada.

como uma sucessão de ondas

as tuas ancas estremecem,

rolam na minha boca.

tenho a minha boca colocada nas tuas ancas.

as minhas mãos nas tuas omoplatas.

respiro contidamente como se fosse uma morte.

beijo-te o pescoço em silêncio.

a luz na praia agora é mais crua.

levantas-te. desapareces na água. respiro ainda em silêncio.

quando regressas o sol é uma rosácea faiscante.

volto a colocar a minha cabeça sobre o teu corpo.

o cheiro intenso do sal abre-me as narinas.

digo muito baixo: é afrodite que vem do mar.

e fico silencioso como um barco ancorado.

da baía do teu corpo começam a levantar voo

as gaivotas das minhas mãos.

    

Luis Pignatelli , in

"Obra Poética", Ed. & etc., 1999

 


 

 

emgestaocorrente às 21:53

Belissíma
Feliz Natal
bjs da avó guida
Margarida Bogalho a 18 de Dezembro de 2007 às 13:23

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