Em gestão corrente ...como o País...

Janeiro 23 2012
   Enquanto tomava a bica, a TV Sport do café transmitia um jogo entre o Sporting e o Olhanense.
   Pareceu-me que os únicos portugueses eram o árbitro e os treinadores; os jogadores, se não estou em erro, eram todos africanos e sul-americanos.
   Quanto à qualidade do jogo pareceu-me igual à dos jogos da Distrital da Guarda que eu via, em jovem e por desfastio, aos domingos à tarde, em Fornos de Algodres.
   Bendito País: do futebol aos discursos do patusco da Madeira e do César dos condores e aos lamentos presidenciais parece-me tudo água do mesmo moinho!
   Haja Deus!


Novembro 12 2011

  

Má consciência

 

  

O adjectivo

dá-me de comer.

Se não fora ele

o que houvera de ser?

  

Vivo de acrescentar às coisas

o que elas não são.

Mas é por cálculo,

não por ilusão.

 

  

Alexandre O'Neill,

in "De ombro na ombreira", Lisboa, 1969



Novembro 06 2011

 

Se...

 

 

Se é possível conservar a juventude

Respirando abraçado a um marco do correio;

Se a dentadura postiça se voltou contra a pobre senhora e a mordeu

Deixando-a em estado grave;

Se ao descer do avião a Duquesa do Quente

Pôs marfim a sorrir;

Se Baú-Cheio tem acções nas minas de esterco;

Se na América um jovem de cem anos

Veio de longe ver o Presidente

A cavalo na mãe;

Se um bode recebe o próprio peso em aspirina

E a oferece aos hospitais do seu país;

Se o engenheiro sempre não era engenheiro

E a rapariga ficou com uma engenhoca nos braços;

Se reentrante, protuberante, perturbante,

Lola domina ainda os portugueses;

Se o Jorge (o "ponto" do Jorge!) tentou beber naquela noite

O presunto de Chaves por uma palhinha

E o Eduardo não lhe ficou atrás

Ao sair com a lagosta pela trela;

Se "ninguém me ama porque tenho mau hálito

E reviro os olhos como uma parva";

Se Mimi Tavessuras já não vem a Lisboa

Cantar com o Alberto...

  

...Acaso o nosso destino, tac, vai mudar?

  

  

  

Alexandre O'Neill,

in " no Reino da Dinamarca", 1958


 


Novembro 04 2011

As rosas

 

 

Quando à noite desfolho e trinco as rosas

É como se prendesse entre os meus dentes

Todo o luar das noites transparentes,

Todo o fulgor das tardes luminosas,

O vento bailador das Primaveras,

A doçura amarga dos poentes,

E a exaltação de todas as esperas.

 

 

 

Sophia de Mello Breyner Andresen,

in "Obra Poética", Ed Caminho, Lisboa, 2010


 



Novembro 02 2011

  

Esta gente

 

 

 

Esta gente cujo rosto

Às vezes luminoso

E outras vezes tosco

 

Ora me lembra escravos

Ora me lembra reis

 

Faz renascer meu gosto

De luta e de combate

Contra o abutre e a cobra

O porco e o milhafre

 

Pois a gente que tem

O rosto desenhado

Por paciência e fome

É a gente em quem

Um país ocupado

Escreve o seu nome

  

E em frente desta gente

Ignorada e pisada

Como a pedra do chão

E mais do que a pedra

Humilhada e calcada

 

Meu canto se renova

E recomeço a busca

De um país liberto

De uma vida limpa

E de um tempo justo

  

Sophia de Mello Breyner Andresen,

in "Geografia", de 1967, incluído em "Obra Poética", Ed. caminho, Lisboa, 2010

 


 


Outubro 31 2011

 

   O Álvaro, um evidente erro de casting de PPCoelho (quem lho terá impigido?), consegue o impensável: o ódio dos sindicatos e o ar de enfado e de comiseração dos patrões, género "há coisa muito mais importantes a fazer"!
   De onde se conclui que um ignoto professor de uma longínqua universidade serve para mandar uns bitaites como comentador na TV, quando está de férias, mas daí até ministro vai uma distância considerável!
   Melhor seria calá-lo até à primeira remodelação!

 



Outubro 31 2011

 

     

Esfinge


Acordo-te de uma sonolência
de esfinge. Quem és? pergunto, em
que deserto  procuraste o amor, e
que oásis se desfez nos teus
dedos, quando o tocaste?

Há um voo de ave perdida
nos teus olhos, quando os pousas
no chão, e um reflexo de charco
te faz subir ao céu onde as nuvens
chegam com o outono.

Não penses no inverno
inexorável; e guarda o pássaro
de algures na gaiola da tua
alma, para que o seu canto
te alegre nas noites mais frias.

 (Rapinado de www.aaz-nj.blogspot.com)


emgestaocorrente às 18:13

Outubro 31 2011

 

   Já tivémos o Manel (Pinho); temos agora o Álvaro.

   Será sina do nosso País aguentar ministros destes?!

   



Outubro 30 2011

 

Turva hora onde

Principia a noite

E o dia se esconde.

 

Hora de abandonos

Em que a gente esquece

Aquilo que somos

E o tempo adormece.

 

Nevoenta hora,

Hora de ninguém

Em que a gente chora

Não sabe por quem.

 

E tudo se esconde

Nessa hora onde

Por estranha magia

Brilha o sol da noite

E o luar de dia.

 

 

Natália Correia

in "Poesia Completa", Publicações Dom Quixote, Lisboa 1999

 



Outubro 05 2011

Bahrein:

   Pequeno reino árabe cheio de petróleo e governado com mão de ferro pela família Al-Khalifa.

   Apesar de não constarem grandes bolsas de miséria, falta uma coisa essencial: liberdade.

   Talvez animados pelas recentes manifestações e revoltas em diversos países árabes, os opositores do regime vieram para a rua reivindicar liberdade e democracia.

   Muitos foram presos e condenados a pesadas penas de prisão que atingiram os 15 anos!

   Mas o pior estava para vir: 20 médicos e enfermeiros que trataram, no seu hospital, os feridos resultantes da repressão nas ruas foram julgados e condenados a penas que, para 5 deles, também atingiram os 15 anos!

   Durissimas penas de prisão para quem cumpriu a sua missão humanitária que é tratar  quem está doente!

   E onde é que está a indignação do nosso mundo ocidental, democrático e civilizado  perante tal monstruosidade?

   Em Portugal não se ouviu uma única voz, salvo um editorial do Público.

   Por onde andam os Sindicatos e as Ordens de médicos e de enfermeiros?

   E os partidos democráticos, de direita e de esquerda?

   E as associações e ligas de defesa de tudo e de mais alguma coisa?

   E já agora: que barulho não faria Frei Louçã se, em Portugal, um policia desse uma cacetada num bandido apanhado em flagrante?

   



Outubro 02 2011

   Anda por aí uma personagem patusca que fala uma língua indecifrável, entre o inglês, o português e o libio que se intitula empresário e a quem os jornalistas gostam de tratar por Sr. Comendador.

   Sabe-se que saíu aind jovem da Madeira e voltou já careca, dizem que com uma grande fortuna e analfabeto como foi.

   A origem da fortuna é obscura e ele lá saberá como a conseguiu!

   A sua mitíca fortuna foi investida em acções bolsistas especulativas e na compra de uma notável colecção de arte.

   De actividades empresariais nada se lhe conhece; apensa entra no capital de algumas empresas que depois tenta canibalizar.

   Em 2006 faz um negócio com o amigo Sócrates em que este lhe cede, gratuitamente, todo o espaço expositivo do Centro Cultural de Belém (esse mamarracho "cavaquista" como a esquerda bem falante e caviar gostava de chamar mas que agora não perde ocasião para lá aparecer e se deixar filmar e fotografar!).

   Diz-se que, na altura, a Ministra da Cultura, o Director do CCB e o próprio Presidente da República se oposuram, mas acabaram por se vergar à sociedade Sócrates/Joe Berardo.

   Sócrates não se limitou a dar as instalações; pôs o nosso dinheiro a pagar, também, as despesas de funcionamento da Fundação Berardo e atribuíu, anualmente uma grande maquia para aquisição de novas obras que ficam propriedade do comendador em vez de reverterem para quem as paga: o contribuinte.

   O ganancioso "empresário"/comendador às tantas meteu-se nas guerras de poder internas do Milenium/BCP; para isso fez um avultado empréstimo junto da Caixa Geral de Depósitos (banco do Estado, pasme-se!!!) e deu a sua colecção como garantia.

   Só que os negócios especulativos correram mal, o PS tomou conta do Milenium e as suas acções têm vindo a desvalorizar-se assustadoramente no mercado bolsista.

   O "empresário"/comendador está falido e em divida para com a CGD (banco do Estado, recorde-se!) e o nosso dinheiro anda a comprar obras de arte para abonar a divida do personagem!

   Se isto não é um país de treta e de vigaristas, o que é então?

   Valha-nos Deus (se ainda fôr a tempo!)


  



Outubro 02 2011

   Há pouco ouvi, na TV, o António José Seguro, com aquele ar de bom rapaz, como quem anda ali por acaso, de dedo em riste a gritar que "não se pode passar uma esponja pelo passado e que se tem que pedir responsabilidades políticas aos governantes".

   Exultei: finalmente estou de acordo com AJS!

   O homem, finalmente, vai fazer um acto de contrição sobre a governação socrática!

   Para os mais distraídos: JSócrates governou durante os últimos 6 anos e meio. Durante o seu consulado, AJS, com ar de menino do côro da Igreja da Misericórdia de Penamacor, percorria as secções do PS preparando a era post-Sócrates, enquanto em off, ia dizendo que era oposição ao Sócrates, incapaz de uma palavra pública de critica, ao contrário do ex-ministro Luís Amado.

   Pois bem: a esponja sobre o passado referia-se a PPassos Coelho que governa há 3 meses!

   Valha-nos Deus!

   Ele há cada cromo!

   


  


Outubro 01 2011

 

   Nos outros países as fundações são criadas para distribuir serviços ou bens à população ou a sectores populacionais com a herança, parte da herança ou da fortuna de gente endinheirada que pretende deixar uma marca para o futuro ou humanizar a sua imagem.

   Em Portugal, muitas fundam-se para sacar dinheiro ao estado, ou seja aos contribuintes, com a prestimosa e amável colaboração dos governos.

   A Fundação Mário Soares beneficia de instalações públicas, reconstruídas com dinheiros públicos.

   A Câmara Municipal de Lisboa subsidia essa Fundação com 50 mil € anuais.

   A Câmara está sobrendividada e à beira da falência técnica.

   O país está sobrendividado e à beira da falência técnica.

   A Câmara de Lisboa pretende aumentar em mais 15 mil € o subsídio à Fundação Mário Soares, este ano, em plena crise!

   Assim vai a crise no nosso País!

  



Outubro 01 2011

À flor da  vaga

Nas róseas ondas quando o amanhecer
Carmina a areia, entre rochas altas
Banham-se as belas. Vem amigo ver,
Flutuar meu cabelo à flor das águas.

Ó vem,sedento ! Amigo,vem beber
A água que do cabelo me escorrer.

No mar que à areia nácar vem render,
Entre altas rochas, raiando a madrugada,
Banham-se as belas. Vem amigo ver
Meus ombros flutuar à flor da vaga.
ó vem sedento!Amigo,vem beber
A água que dos ombros me escorrer.

Na vaga que de brilho a areia asperge
Entre altas rochas, quando a manhã desponta
Banham-se as belas. Vem amigo ver
Meu seio flutuar à flor da onda.
Ó vem, sedento!Amigo,vem beber
A água que do seio me escorrer.


Natália Correia

Setembro 04 2011

 

Votada ao fogo obediente ao perigo

Feroz do amor ser muito e o tempo pouco,

Chegas ébrio de sonho, ó estranho amigo

E eu não sei se por mim és anjo ou louco.

  

Num beijo infindo queres morrer comigo.

Nesse extremo és sagrado e eu não te toco.

Esquivo-me: o teu sonho mais instigo.

Fujo-te: a tua chama mais provoco.

  

A incêndio do teu sangue me condenas

E com ciumentas ervas te envenenas

Dizendo às nuvens que só tu me viste.

  

Bebendo o vinho de amantes mortos queres

Que eu seja a mais prateada das mulheres.

E de ser tão amada eu fico triste.

 

 

in "Poesia Completa",

Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1999



Setembro 04 2011

  

 

 

A reveler throws tomato pulp during the annual Tomatina tomato fight fiesta in the village of Bunol, near Valencia, Spain, Aug. 31. Bunol's town hall estimated more than 40,000 people, some from as far away as Japan and Australia, took up arms Wednesday and pelted each other with 120 tons of ripe tomatoes in the yearly food fight known as the Tomatina now in its 66th year. (Associated Press/Alberto Saiz) #


emgestaocorrente às 14:05

Setembro 01 2011

  

 

   1ª metade dos anos 60: a juventude portuguesa sufocava entre o bolor salazarento de uma sociedade fechada, totalitária e sem perspectiva de futuro.

 

   A guerra colonial dava os primeiros passos e a juventude começava a ser mobilizada para a guerra longínqua e sem futuro.

 

   Portugal, descalço e analfabeto, esvaziava-se pelos trilhos clandestinos da emigração ilegal para as obras de Paris.

 

   A luta estudantil contra a ditadura salazarista agudizava-se.

 

   E lá de fora, da França onde perto de 1 milhão de portugueses labutava nos subterrâneos de Paris nas obras do saneamento e do metro, surgia esta figura frágil, doce e bela a cantar que todos os rapazes e raparigas da sua idade se passeavam de mão dada pelas ruas de Paris.

 

   Paris, essa cidade mítica com que todos os adolescentes e jovens do meu tempo sonhavam!

 

   A Paris da liberdade, da igualdade e da fraternidade, de onde nos vinham os ecos da literatura, da filosofia, da poesia e das belas artes com que todos sonhávamos!

 

   Foi o grande sucesso!

 

   Passear em Paris, livres e de mãos dadas: suprema felicidade!

 

   Em memória desses tempos ouçam esta pequena pérola:

 

 

 

 




Maio 22 2011

 

   O PS e José Sócrates resolveram fazer um comício na Praça do Giraldo, em Évora.

   Não se prevendo assistência que componha o recinto, alugam-se camionetas em Lisboa, enchem-se com africanos, paquistaneses e outros personagens exóticos, distribui-se 1 saco de farnel a cada um e oferece-se um passeio até Évora!

   Entrevistados pela TV, não fazem a mínima ideia do que estão ali a fazer.

   Reportagem vista agora mesmo na SIC Notícias!

   Vale tudo!

   É fartar vilanagem!

 



Maio 21 2011

 

a vida de família tornou-se bem difícil

com as contas a pagar os filhos a fazer

ou a evitar a ranhoca a limpar

a vida de família não tem razão de ser

não tem ração de querer

 

a vida de família jangada da medusa

é o tablado da antropofagia

  

mas ficam os retratos cristo virgem maria

e os sobreviventes, que vão chupando os dentes

  

 

Alexandre O'Neill, in "Poesias Completas 1951/1986",

Imprensa Nacional, Lisboa, 1990

 


 


Maio 21 2011

 

Cada vez gosto mais da pintura de João Alfaro.

Aqui, mostro 6 fotos que correspondem aos 6 dias

de elaboração da obra.

Não deixe de visitar a sua página de Face Book

ou o seu blogue

http://www.joaoalfaro.blogspot.com

 


 

emgestaocorrente às 10:12

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